
A economia brasileira demonstrou resiliência em 2025, alcançando a menor taxa de desemprego registrada desde o início da série histórica em 2012, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O feito ocorreu mesmo diante de um cenário de taxa básica de juros (Selic) elevada, que atingiu o maior patamar em quase duas décadas, funcionando como um freio para diversas atividades econômicas. O principal motor por trás dessa performance positiva do mercado de trabalho foi o robusto consumo das famílias.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua apontou que a taxa de desocupação fechou o ano em 5,6%, uma queda significativa em relação aos 6,6% registrados em 2024. No total, o país contabilizou 103 milhões de pessoas ocupadas e 6,2 milhões de desocupados, definidos como aqueles que procuraram ativamente por trabalho nas quatro semanas anteriores à pesquisa.
Amortecimento do Impacto dos Juros Altos
A ascensão da Selic, iniciada em setembro de 2024 pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para combater a inflação e mantida em 15% ao ano até junho de 2025, historicamente desestimula o crédito e o investimento, podendo levar à desaceleração da geração de empregos. No entanto, o comportamento do mercado de trabalho em 2025 desafiou essa expectativa.
Adriana Beringuy, coordenadora da Pnad Contínua, explica que a transmissão do efeito dos juros não é uniforme em toda a economia. Ela destaca que o consumo de bens duráveis e de itens que dependem fortemente de crédito apresentou menor expansão. Em contrapartida, as famílias direcionaram seus gastos para bens não duráveis e serviços.
Crescimento da Renda e do Consumo
Um fator crucial para a manutenção do emprego foi o aumento do contingente ocupado e, principalmente, da renda média do trabalhador. Em 2025, o rendimento médio mensal atingiu um recorde de R$ 3.560, representando um crescimento real de 5,7% em relação ao ano anterior, já descontada a inflação.
Esse aumento de renda, segundo Beringuy, foi canalizado para o consumo de itens essenciais como alimentação, vestuário e serviços pessoais, muitas vezes sem a necessidade de recorrer a crédito. A valorização real do salário mínimo também contribuiu significativamente para o poder de compra dos trabalhadores, especialmente nos segmentos de menor escolaridade.
Diversificação das Atividades e Crescimento do Trabalho Informal
O comércio se destacou como o setor que mais ofereceu vagas de trabalho em 2025. A pesquisa também apontou um crescimento expressivo no número de trabalhadores por conta própria, totalizando 26,1 milhões de pessoas. Deste grupo, 73% atuam na informalidade, sem CNPJ.
Ainda assim, o número de empregados com carteira assinada atingiu o maior patamar da série histórica, com 38,9 milhões de pessoas. A coordenadora do IBGE pondera que, embora possa haver uma migração de trabalhadores sem carteira para a modalidade por conta própria, o crescimento de ambos os segmentos sugere uma dinâmica complexa e resiliente do mercado de trabalho brasileiro.
Com informações da Agência Brasil


