
A indústria brasileira encerrou o ano de 2025 com um crescimento modesto de 0,6%, um desempenho pressionado pela política monetária restritiva e a taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados. Em dezembro, a produção industrial do país sofreu uma retração de 1,2%, o pior resultado desde julho de 2024, com três dos últimos quatro meses do ano apresentando queda ou variação nula.
O resultado de 2025 posiciona o setor industrial 0,6% acima do nível pré-pandemia de covid-19 (fevereiro de 2020), mas ainda 16,3% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.
Setores em Destaque e Desafios
No ano passado, duas das quatro grandes categorias econômicas da indústria apresentaram crescimento. Dentre as 25 atividades pesquisadas pelo IBGE, 15 registraram avanço, com destaque para as indústrias extrativas (4,9%) e produtos alimentícios (1,5%). No total, 49,6% dos 789 produtos investigados tiveram alta na produção em 2025.
No entanto, o fim do ano trouxe desafios. A produção de veículos automotores, por exemplo, recuou 8,7% em dezembro, reflexo de paralisações e férias coletivas, além da desaceleração no segmento de bens duráveis.
O Impacto da Selic Elevada
Segundo André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, o principal fator por trás da desaceleração da indústria no final de 2025 foi a taxa básica de juros elevada. “Os juros altos têm esse caráter de diminuir a intensidade da economia, e o setor industrial está nesse contexto”, explicou.
Juros altos levam as empresas a adiar decisões de investimento e também afetam o consumo das famílias, que se traduz em “desaceleração importante” em diversos segmentos. Além disso, o custo mais elevado do crédito contribui para o aumento da inadimplência.
Contexto Econômico e Inflação
A escalada da Selic, iniciada em setembro de 2024 pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central devido à preocupação com a inflação, partiu de 10,5% ao ano e chegou a 15% em junho de 2025. O índice oficial de inflação (IPCA) ficou fora da meta de 3% por 13 meses, praticamente todo o ano de 2025.
A Selic elevada encarece o crédito e desestimula investimentos e consumo, com o objetivo de esfriar a inflação. O efeito colateral dessa política restritiva é uma marcha lenta da economia, que pode impactar a geração de empregos. Apesar desse cenário, 2025 terminou com a mínima histórica na taxa de desemprego, segundo dados recentes do IBGE.
Com informações da Agência Brasil


