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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Educação humanitária: como ensinar crianças e adolescentes a respeitar animais

A violência contra animais pode ser um reflexo de outras agressões e um alerta para a possibilidade de violências contra grupos vulneráveis. Especialistas defendem que a educação é o caminho para transformar a vida dos animais, especialmente quando voltada para crianças e adolescentes. A abordagem conhecida como ‘educação humanitária em bem-estar animal’ visa criar uma sociedade mais empática, com menos violência e maior respeito.

Rosângela Gerbara, diretora de relações institucionais da Ampara, explica que a educação deve sair de uma visão antropocêntrica. A aproximação com os animais deve ser gradual, ensinando gentileza, respeito pelo tempo e comportamento de cada espécie. Levar crianças para observar animais na natureza ou em seus habitats contribui para o desenvolvimento da empatia, ajudando-as a entender sentimentos e necessidades, reduzindo comportamentos violentos e intolerantes.

Quebrando a visão de objeto

É fundamental quebrar a perspectiva do animal como um objeto ou produto. Viviane Pancheri, voluntária há 15 anos na ONG Toca Segura, destaca a importância de as crianças perceberem que os animais são sencientes, capazes de sentir medo, abandono e felicidade. A ONG desenvolve um trabalho em escolas e em seu abrigo, promovendo a ‘educação empática’ e ensinando o valor do cuidado e da atenção.

Interação cuidadosa e eventos

A interação com os animais nos abrigos é planejada com cuidado para acolher a criança e evitar estresse ou violência contra os animais, que muitas vezes já passaram por situações difíceis. Pequenos eventos, como os domingos de passeio, onde voluntários levam animais para caminhadas breves, ajudam a socializá-los com humanos, tornando-os mais dóceis e aumentando as chances de adoção. Crianças que participam desses eventos também desenvolvem a interação e o cuidado.

Um exemplo inspirador é o de uma menina que, com medo de cachorros, começou a ajudar na ONG e hoje é veterinária. As feirinhas de adoção também contam com a participação de adolescentes na manutenção dos animais, aprendendo sobre a rotina e a importância do trato diário.

O exemplo e a responsabilidade

O exemplo é uma ferramenta poderosa. Levar crianças para conhecer animais de vizinhos ou parentes ensina muito sobre cuidado. Para crianças maiores e adolescentes, a questão da responsabilidade é enfatizada. A supervisão é crucial ao ensinar sobre o cuidado com animais, seja em casa ou com animais comunitários, como alimentá-los na rua.

Programas públicos de conscientização

A prefeitura de São Paulo, por meio de seus centros de adoção, promove a guarda responsável e a educação ambiental. Grupos escolares visitam os espaços, onde o contato com os animais é mediado para criar consciência. O programa ‘Superguardiões’ e o ‘Leituras’, que incentiva crianças a lerem para cães e gatos, são exemplos de iniciativas que transformam os pequenos em multiplicadores de informação em seus lares e comunidades.

Essas ações sensibilizam e orientam sobre a importância de respeitar os animais, facilitam a adoção e conscientizam para práticas sustentáveis. O contato com os animais, quando bem gerenciado, torna-os mais dóceis e acostumados com a presença humana, além de educar para um futuro com mais empatia e menos violência.

Com informações da Agência Brasil