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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Haddad: “Classe dominante brasileira entende o Estado como dela”

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a classe dominante no Brasil enxerga o Estado como propriedade particular, e não como um bem coletivo. A declaração foi feita durante o lançamento de seu livro “Capitalismo Superindustrial”, em um evento realizado em São Paulo.

Haddad apresentou a tese de que o Estado brasileiro teria sido entregue aos fazendeiros como uma forma de indenização pela abolição da escravatura. Segundo o ministro, o movimento republicano, que ganhou força logo após a Lei Áurea em 1888, teria substituído a antiga classe dirigente pela classe dominante, que desde então administra o Estado como se fosse sua posse.

Fragilidade democrática e status quo

O ministro relacionou essa dinâmica histórica à fragilidade da democracia no Brasil. Ele argumenta que qualquer tentativa de contestar o status quo estabelecido por esse “acordão” sob a égide das Forças Armadas gera reações imediatas, podendo levar a rupturas institucionais. “A democracia é a contestação desse status quo. E, quando ela estica a corda, a ruptura institucional pode acontecer”, alertou Haddad.

O livro “Capitalismo Superindustrial”

A obra recém-lançada por Haddad aborda os fatores que moldaram o atual capitalismo global, caracterizado por crescente desigualdade e competição. O livro explora a acumulação primitiva de capital na periferia do sistema, a incorporação do conhecimento como força produtiva e as novas configurações de classe.

Haddad prevê um aumento contínuo da desigualdade, caso o Estado não atue para mitigar seus efeitos. Ele descreve um cenário onde as tensões sociais se intensificam quando a dinâmica capitalista é deixada à própria sorte, evoluindo de diferenças para contradições profundas.

Estudos sobre o Oriente e ascensão da China

O livro também revisita estudos de economia política realizados por Haddad nos anos 1980 e 1990, incluindo análises sobre o sistema soviético e os desafios impostos pela ascensão da China como potência global.

O ministro investiga padrões de acumulação primitiva de capital no Oriente, diferenciando-os da escravidão nas Américas e da servidão na Europa Oriental. Ele destaca que as revoluções orientais possuíam um caráter anti-sistêmico e anti-imperialista, onde o despotismo estatal serviu a propósitos industrializantes, diferentemente do que ocorreu em outras regiões.

Apesar da violência interna dessas formas de acumulação, Haddad aponta que, externamente, essas revoluções apresentavam uma potência antissistêmica que atraía povos em busca de liberdade e emancipação nacional. Ele classifica esses movimentos como revoluções, mas ressalta que não eram revoluções socialistas.

Em relação ao sucesso desses processos no Oriente, Haddad avalia que houve avanço no desenvolvimento das forças produtivas e na mercantilização, mas que os objetivos ideológicos iniciais dos líderes revolucionários podem não ter sido plenamente alcançados.

Com informações da Agência Brasil