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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Carnaval em Brasília: coletivos transformam a folia em ferramenta de autocuidado e combate ao preconceito

Em meio à efervescência do pré-Carnaval em Brasília, coletivos locais encontram na folia um espaço vital para o autocuidado, o fortalecimento de redes de apoio e o combate a preconceitos. A celebração carnavalesca se torna, para muitos, um respiro necessário em meio a rotinas de cuidado intenso ou à luta por visibilidade e respeito.

Filhas da Mãe: a folia como respiro para cuidadoras

O coletivo Filhas da Mãe, fundado em 2019, utiliza o Carnaval para oferecer um momento de leveza e autocuidado a pessoas que dedicam suas vidas a cuidar de familiares com doenças demenciais, como o Alzheimer. Carmen Araújo, 59 anos, professora e cuidadora de seu pai há 15 anos, exemplifica essa necessidade: “Se a gente não se cuidar, adoecemos também”. A participação no bloco carnavalesco do coletivo é uma forma de reencontrar a alegria e a conexão com a vida, herdada de seu pai, que sempre amou o Carnaval.

Cosette Castro, psicanalista e uma das fundadoras do Filhas da Mãe, relata que a iniciativa surgiu da própria experiência de sobrecarga ao cuidar de sua mãe com Alzheimer. “As pessoas falam muito de remédio, de como cuidar. Mas ninguém olha para nós que estávamos cuidando e com sobrecarga”, pontua. O coletivo, que atende cerca de 550 pessoas com serviços voluntários, incluindo virtuais, foca na promoção da saúde mental das cuidadoras, combatendo problemas como insônia, ansiedade e doenças físicas decorrentes do estresse.

Márcia Uchôa, 69 anos, outra integrante e fundadora, reforça a importância de se permitir momentos de lazer. “A gente precisa se cuidar e o carnaval está dentro da gente”, afirma, mesmo diante de receios como o da gripe que a impediu de participar da folia deste domingo.

Me Chame Pelo Nome: Carnaval antirracista e anticapacitista

Ao lado da festa do Filhas da Mãe, o coletivo Me Chame Pelo Nome desfila sua alegria em prol da causa anticapacitista. Com uma fanfarra composta por pessoas com deficiência, o grupo busca combater o preconceito e promover resistência e cuidado através da arte. Aline Zeymer, coordenadora do grupo, destaca que este é o segundo ano do bloco, evidenciando o poder do Carnaval como ferramenta de inclusão e expressão.

Com informações da Agência Brasil