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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Livro de jornalista brasileiro explora a escravidão nos EUA sob a ótica dos escravizados

O jornalista Rafael Cardoso lançou, no Rio de Janeiro, o livro “Autobiografias de escravizados: Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos”, pela editora Dialética. A obra, fruto de seu mestrado em história na UNIRIO, inova ao observar a escravidão nos Estados Unidos a partir de relatos escritos por pessoas que viveram essa realidade, um contraste com a pesquisa histórica brasileira, que muitas vezes se baseia em documentos oficiais e gerenciais.

Cardoso destaca a abundância de autobiografias de escravizados nos EUA, que fugiram do sul para o norte abolicionista. “Nós não tivemos no Brasil esse tipo de texto, de narrativa em primeira pessoa”, observa o autor, ressaltando que, no Brasil, a reconstrução histórica da vida de escravizados frequentemente se dá por meio de documentos não escritos por eles, devido à alta taxa de analfabetismo.

A importância dos relatos em primeira pessoa

O livro foca em Frederick Douglass (1818-1895), líder abolicionista, e William Grimes (1784-1865), barbeiro. Ambos publicaram suas autobiografias em diferentes momentos, permitindo a Cardoso analisar as transformações sociais nos Estados Unidos escravista ao longo de cerca de 30 anos. O autor examina como o contexto individual, familiar, social e político influenciou a trajetória e a autoimagem dos sujeitos.

Adotando uma perspectiva marxista-gramsciana, Cardoso argumenta que “influências estruturais, econômicas e sociais condicionam nossas escolhas e limitam nossas possibilidades de vida”. Ele acredita que o estudo da história aprimora a “visão crítica e analítica” da realidade, habilidade essencial para seu trabalho como repórter na Agência Brasil, onde cobre pautas sociais e ambientais.

Com informações da Agência Brasil