
A mãe de Thiago Menezes, de 14 anos, morto durante uma operação policial na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro, descreveu o filho como um menino “educado, carinhoso, sorridente e feliz” em seu depoimento. Priscila Menezes relembrou que o adolescente não dava trabalho, gostava de ir à escola e praticava futebol.
Acusações contra policiais
Os policiais envolvidos na ação respondem pelo homicídio de Thiago e pela tentativa de homicídio de Marcus Vinícius, que pilotava a moto em que Thiago estava na garupa. Marcus foi atingido na mão. Segundo as investigações, os jovens não estavam armados e não houve confronto no momento do crime. A Polícia Militar realizava a operação em um carro descaracterizado.
Os agentes também são acusados de fraude processual por supostamente terem plantado uma arma na cena do crime para simular uma troca de tiros e por alterarem depoimentos para confirmar que o carro utilizado na abordagem não era uma viatura oficial.
O Ministério Público considera que os policiais agiram com “torpeza”, em uma “operação de tocaia ilegal, com arma de alta energia”.
Depoimentos e provas
Ao longo do dia, foram ouvidos o sobrevivente Marcus Vinícius, seu pai Wagner, e a mãe de Thiago, Priscila Menezes. Priscila apresentou o histórico escolar do filho, que demonstrava mais de 91% de frequência, e fotos que o mostravam com amigos, treinando futebol e em família. Ela reconheceu o filho em algumas imagens, mas demonstrou desconfiança em relação a fotos exibidas pela defesa dos policiais, que continham armas e jovens encapuzados. A mãe negou que Thiago tivesse tatuagens, como uma que aparecia em uma mão em uma das fotos.
Marcus Vinícius, que sobreviveu ao tiroteio, também confirmou em seu depoimento que nunca viu Thiago armado.
Expectativa por Justiça
O pai de Thiago, Diogo Flausino, expressou a expectativa de condenação dos policiais. “Esperamos Justiça. Eles têm que pagar”, declarou, em meio a um ato contra a violência policial em frente ao tribunal. Os agentes alegam legítima defesa.
O julgamento conta com dez testemunhas, cinco de defesa e cinco de acusação. O julgamento, que estava previsto para o fim de janeiro, foi adiado para esta terça-feira.
Amigos relembram Thiago
Colegas de escola de Thiago, de 14 e 15 anos, descreveram o adolescente como alegre, companheiro e vaidoso. “Era um menino muito legal, que zuava, brincava, sempre usando um pente no cabelo, vaidoso”, lembrou uma amiga. Outra acrescentou: “Ele era incrível, sempre ia com a gente para rodízios de pizza, sempre parceiro, o primeiro a confirmar”. “Ele era bom”, frisou.
Com informações da Agência Brasil


