25.9 C
Manaus
segunda-feira, 27 de julho de 2026

Ipea: Mercado de trabalho pode absorver fim da escala 6×1 e jornada de 40 horas

O mercado de trabalho brasileiro tem potencial para absorver o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A medida, que já é debatida no Congresso Nacional, pode trazer benefícios sociais e ter um impacto econômico gerenciável, especialmente para grandes empresas.

O pesquisador Felipe Pateo, autor do estudo, explica que, embora a jornada geral de 40 horas semanais possa elevar o custo do trabalhador celetista em 7,84%, o efeito no custo total da operação é menor. “Quando a gente olha para a operação de grandes empresas na área de comércio, da indústria, a gente vê que o custo com trabalhadores representa às vezes menos que 10% do custo operacional da empresa”, afirma.

No entanto, setores como serviços para edifícios (vigilância e limpeza) e pequenas empresas podem sentir um impacto maior. Para esses casos, o estudo sugere uma transição gradual e a possibilidade de contratação de trabalhadores em meio período para suprir demandas específicas, como o funcionamento em fins de semana.

Combate a desigualdades

A pesquisa do Ipea também destaca que a redução da jornada pode ser uma ferramenta para combater desigualdades. Atualmente, jornadas de 44 horas concentram trabalhadores de menor renda e escolaridade. Com a redução para 40 horas, esses trabalhadores teriam um aumento no valor da hora trabalhada, aproximando suas condições das de trabalhadores com melhores situações.

Segundo o estudo, a remuneração média para quem trabalha até 40 horas por semana é de R$ 6,2 mil, enquanto aqueles com jornada de 44 horas recebem menos da metade. Essa disparidade se reflete na escolaridade: mais de 83% dos vínculos com jornadas estendidas são de pessoas com até o ensino médio completo, proporção que cai para 53% entre os com ensino superior.

Desafios para pequenas empresas

O estudo aponta que empresas de menor porte enfrentam um desafio maior na adaptação. Enquanto a média nacional indica que 79,7% dos trabalhadores têm jornadas superiores a 40 horas semanais, esse percentual sobe para 87,7% em empresas com até quatro empregados e 88,6% naquelas com cinco a nove trabalhadores.

Esses segmentos incluem áreas como educação, organizações associativas e serviços pessoais, como lavanderias e cabeleireiros, onde predominam jornadas estendidas em empresas menores.

Debate político

A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 ganharam força no cenário político. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, indicou que a votação de projetos sobre direitos trabalhistas é uma prioridade para este ano, com possibilidade de análise em maio. Duas propostas sobre o tema estão em discussão na Câmara: a PEC 8/25 e a PEC 221/19. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também incluiu o tema entre as prioridades do governo para o semestre.

Com informações da Agência Brasil