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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Bloco Aparelhinho celebra 15 anos de carnaval de rua em Brasília com festa democrática e sonora diversificada

O Bloco Aparelhinho comemora 15 anos de existência em Brasília, consolidando-se como um movimento cultural que celebra o carnaval de rua e a ressignificação do espaço público na capital federal. O que começou com um som eletrônico em um carrinho alegórico, inspirado nas aparelhagens do Pará, transformou-se em uma festa democrática e inclusiva, atraindo foliões de diversas idades e perfis.

“É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas ocupadas e coloridas; é vontade mesmo de ver o carnaval de rua acontecendo aqui”, afirma o DJ Rafael Ops, um dos fundadores do bloco. A ideia inicial era “sair empurrando nosso carrinho pela rua”, como uma fanfarra, e o primeiro objeto foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB).

O carrinho evoluiu significativamente ao longo dos anos, passando por diversas transformações tecnológicas e visuais, sempre mantendo as cores azul e laranja do bloco. Já foi de madeira, ferro, virtual na pandemia, charrete, trio e até carreta. Atualmente, o Aparelhinho conta com o apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e envolve cerca de 100 pessoas na organização.

Bruna Daibert, publicitária e frequentadora do bloco desde a primeira edição em 2012, destaca a importância do Aparelhinho em sua vida: “É o bloco em que encontro meus amigos, que a gente está em casa, que trago minha filha”. Ela ressalta a necessidade de formar novos públicos para o carnaval de rua, defendendo a ocupação da cidade.

A diversidade sonora é um dos pilares do bloco. O repertório, elaborado pelos DJs fundadores Pezão, Rafael Ops e Rodrigo Barata, com convidados como Biba e Mica, e Pororoca DJs, com Emidio e Leroy, abrange uma vasta gama de ritmos. “A gente toca música do mundo”, explica Barata, incluindo remixes de frevos, axés, sambas-enredos, brega funk, piseiro, rock and roll e diversas vertentes da música eletrônica.

O cozinheiro Iago Roberto, em seu primeiro carnaval em Brasília, se mostrou satisfeito com a energia do bloco: “Só a energia da galera nesse lugar já está maravilhosa”. Ele retornou ao Brasil após três anos morando fora e buscou o carnaval de rua da capital.

Apesar da atmosfera festiva, alguns desafios de acessibilidade foram apontados pela dentista Fabiana Montandon, frequentadora há 10 anos. Ela mencionou “bastante buraco na pista, a calçada não tem rampinhas pra descer e o banheiro é pseudo-acessível”, mesmo com o bloco sendo promovido como um espaço inclusivo. “Eles anunciaram que era espaço acessível e eu vim por isso. Mas a gente só se dá conta quando está nessa situação”, relatou.

Com informações da Agência Brasil