
O Bloco Bafo da Onça celebrou seus 70 anos de história com um desfile especial na segunda-feira de Carnaval, marcando um novo capítulo em sua trajetória. Pela primeira vez, a agremiação ocupou as ladeiras de Santa Teresa, no Centro do Rio de Janeiro, e apresentou uma bateria com mais de 100 ritmistas, um dos destaques da comemoração.
Outra novidade marcante foi a parceria com o Cacique de Ramos, um grupo que, embora historicamente tenha tido uma relação de rivalidade, hoje se consolida como aliado. Essa união simboliza a força da colaboração entre blocos tradicionais do carnaval carioca.
Uma história de 70 anos no carnaval
Fundado em 1956 em um botequim do Catumbi por Sebastião Maria, o Tião Maria, o Bafo da Onça é o segundo bloco em atividade mais antigo do Rio de Janeiro, atrás apenas do Cordão da Bola Preta. Ao longo de sete décadas, tornou-se um ícone do carnaval de rua e da cultura popular carioca. Há mais de 50 anos, o bloco é liderado por Roberto Saldanha, conhecido como Capilé.
A mudança para Santa Teresa é encarada pelos integrantes como um retorno às origens, um resgate da essência do bloco. “É o quarto ano consecutivo que venho como oncinha do Bafo da Onça. É uma alegria muito grande. Todos os outros anos foram na Avenida Chile. A primeira vez em Santa Teresa traz muita alegria e muita coisa boa”, afirma Rafa Manso, integrante do bloco, destacando a importância da personagem “oncinha” como símbolo da força do grupo.
Para o presidente Roberto Saldanha, desfilar em Santa Teresa possui um significado profundo. “Isso aqui para mim é um sonho. Eu tô no meu quintal. Eu tô em casa. Aqui a gente conhece todo mundo. Não tem nada de confusão, problema, aqui a gente só quer brincar”, declarou, emocionado.
Rainha, reconstrução e união com o Cacique de Ramos
Entre os destaques do cortejo, Chelen Verlink, Rainha do Bafo da Onça, que acompanha o bloco desde a adolescência, compartilhou sua trajetória. “Comecei como princesa, com 13 anos. Hoje estou com 27 e no posto de Rainha. A gente vai crescendo junto com o bloco”, explicou. Ela ressaltou o caráter familiar do Bafo da Onça em sua vida.
O desfile também relembrou o processo de reconstrução após um incêndio que atingiu a sede histórica do bloco em 2020, destruindo instrumentos, fantasias e parte do acervo. A nova bateria, equipada com instrumentos adquiridos por meio de emenda parlamentar, simboliza a resiliência e a renovação do Bafo da Onça.
A parceria com o Cacique de Ramos, que se intensificou após a apresentação da roda de samba do Cacique na quadra do Bafo em 2025, foi celebrada. “Na realidade, nós nunca fomos rivais. Nós somos irmãos. Eles trazem uma ala para desfilar com a gente. Carnaval é festa”, reforçou Saldanha.
Os foliões também demonstraram entusiasmo com as novidades. Luana Brito, que veio de Bangu para acompanhar o desfile, expressou sua expectativa: “Eu já tinha planejado vir. […] Hoje quis vir para o Bafo da Onça, que eu sei que é um bloco muito bom. Essa parceria é perfeita. A expectativa é que seja perfeito”.
Para os integrantes, a união entre blocos tradicionais fortalece o carnaval de rua. “Vai atrair mais público. É bom que outros blocos também se unifiquem para valorizar os blocos tradicionais”, avalia Rafa Manso.
O desfile de 70 anos reafirma a vocação do Bafo da Onça de ocupar o espaço público como território de encontro, memória e festa, mantendo o bloco no circuito oficial do carnaval carioca.
Com informações da Agência Brasil


