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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Morre Luiz Bangbala, o ogan mais antigo do Brasil, aos 106 anos

O corpo de Ogan Bangbala, que aos 106 anos era reconhecido como o ogan mais antigo do Brasil, será sepultado nesta terça-feira (17) no Cemitério Jardim Mesquita, na Baixada Fluminense. Ele faleceu na noite do último domingo (15), no Rio de Janeiro, após mais de oito décadas exercendo a função no candomblé.

Bangbala estava internado desde o dia 31 de janeiro no Hospital Municipal Salgado Filho, tratando uma infecção nos rins. A notícia de sua morte foi divulgada nas redes sociais por sua esposa, Maria Moreira.

“Hoje o candomblé perdeu uma das figuras mais importantes, o Comendador Ogan Bangbala, o mais velho ogan do Brasil, o mestre dos mestres. Meu coração sangra de tanta dor, vá em paz meu amor, meu orgulho, meu mestre”, escreveu a viúva.

Nascido Luiz Ângelo da Silva em 21 de junho de 1919, em Salvador (BA), Bangbala foi iniciado no candomblé em sua cidade natal, onde começou a atuar como ogan, responsável por tocar os atabaques e ditar o ritmo das cerimônias. Ainda jovem, mudou-se para Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde residiu até o fim de sua vida.

Além de sua longa trajetória no candomblé, Ogan Bangbala foi um dos fundadores do afoxé Filhos de Gandhy no Rio de Janeiro e gravou diversos álbuns com cânticos em língua iorubá. Em 2014, foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural pela Presidência da República. Sua importância foi reconhecida também pela escola de samba Unidos do Cabuçu em 2020 e por uma exposição no Centro Cultural Correios em 2024.

O babalorixá Ivanir dos Santos o descreveu como “o grande griot das nossas tradições, não só dos ritos dos orixás, mas também dos ritos fúnebres”, utilizando o termo que designa os guardiões da memória dos povos africanos.

“Ele nos deixou, mas vai sempre continuar presente aos nossos afazeres, no dia-a-dia dessas práticas. Agora ele também é um ancestral nosso. Que continua nos iluminando e sendo presente nas nossas ações dentro das casas de candomblé, dos blocos afros, dentro dessa cultura tão vasta que marca a identidade do povo afro-brasileiro”, concluiu Santos.

Com informações da Agência Brasil