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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Brasileira de 20 anos ganha menção honrosa em concurso internacional de biologia quântica

A jovem carioca Gabriela Frajtag, de 20 anos, conquistou reconhecimento internacional ao receber menção honrosa no prestigiado concurso promovido pelo Foundational Questions Institute (FQxI), em parceria com o Paradox Science Institute e a Idor Ciência Pioneira. A competição, que distribuiu US$ 53 mil (cerca de R$ 300 mil), premiou os melhores ensaios que responderam à pergunta: “A vida é quântica?”. Gabriela foi contemplada com US$ 3 mil por sua contribuição.

Uma trajetória de descobertas científicas

O interesse de Gabriela pela ciência se manifestou desde cedo. Ela participava ativamente de olimpíadas científicas em diversas áreas, como matemática, astronomia, linguística, neurociência e biologia, indo além do currículo escolar tradicional.

Seu percurso acadêmico a levou à Ilum Escola de Ciência, em Campinas (SP), vinculada ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem), onde o moderno acelerador de elétrons Sirius está instalado. A natureza interdisciplinar da Ilum permitiu que Gabriela estudasse simultaneamente biologia, física, matemática e ciência de dados.

O mergulho na biologia quântica

Um marco em sua formação foi a participação na primeira Escola de Biologia Quântica, realizada em Paraty (RJ) em agosto do ano passado. O evento, organizado pelo Idor Ciência Pioneira e parte das celebrações do Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quânticas da Unesco, reuniu 40 estudantes e pesquisadores para explorar um campo emergente que investiga fenômenos biológicos sob a ótica da física quântica.

“Foi ali que eu mergulhei de verdade nesse campo que trata a biologia também a partir da interseção com a física”, afirmou Gabriela.

Oportunidade internacional através da rede de contatos

A oportunidade de participar do concurso internacional surgiu de um grupo de mensagens formado entre os participantes da Escola de Biologia Quântica. Ao compartilhar o edital da FQxI, abriu-se o caminho para Gabriela apresentar seu trabalho.

Sem uma pesquisa consolidada na área, ela optou por um ensaio com perspectiva histórica, traçando a evolução do campo da biologia quântica ao longo das décadas. “Sempre li muito sobre história da ciência, biografias, como as descobertas acontecem. Achei interessante fazer uma visão panorâmica”, explicou.

Reconhecimento e planos futuros

Gabriela concluiu a graduação em 2025 como primeira de sua turma. A notícia da menção honrosa internacional veio pouco depois, trazendo uma grata surpresa. A premiação será realizada online, com a divulgação nas redes da instituição e a transferência do valor em dinheiro.

A biologia quântica, área que desperta sua curiosidade, investiga como fenômenos da mecânica quântica podem influenciar processos biológicos, como a fotossíntese ou a navegação de animais. Um exemplo clássico é a navegação de aves migratórias, onde uma proteína chamada criptocromo, ao ser atingida pela luz, forma um par de elétrons entrelaçados. A interação desses elétrons com o campo magnético da Terra poderia gerar sinais que funcionam como uma bússola interna.

Gabriela planeja seguir carreira acadêmica, com mestrado e doutorado no exterior, visando tornar-se professora e liderar seu próprio laboratório. Ela acredita que seu reconhecimento demonstra o potencial de jovens cientistas brasileiros em participar de debates científicos globais desde o início de suas carreiras.

Com Informações da Agência Brasil