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terça-feira, 16 de junho de 2026

‘Festa no IML’: parlamentares pedem investigação de mensagens violentas após morte de jovem

As investigações sobre os ataques virtuais sofridos por Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ganharam repercussão nacional e passaram a mobilizar autoridades federais.
Após a morte da jovem durante um salto de rope jump em Limeira (SP), publicações com teor ofensivo — marcadas por misoginia e conteúdo sexualizado — começaram a se espalhar pelas redes sociais.

Além das investigações sobre as circunstâncias do acidente, o caso passou a envolver também a apuração de mensagens consideradas cruéis e desrespeitosas, incluindo conteúdos de deboche e referências de cunho necrófilo direcionadas à vítima.

Segundo as apurações, as publicações circularam rapidamente nas redes sociais, ampliando a repercussão do caso e levando autoridades a analisarem possíveis crimes relacionados à violência psicológica, assédio e incentivos à crueldade contra Maria Eduarda.

Com a mobilização de órgãos federais, peritos e investigadores passaram a buscar a origem e a disseminação desses conteúdos, além de identificar os responsáveis pelas postagens e por eventuais compartilhamentos.

A investigação também analisa se houve coordenação entre perfis e páginas e se as mensagens foram publicadas como forma de ataque reiterado, à medida que o caso ganhava visibilidade nacional.

As deputadas federais Tabata Amaral e Erika Hilton afirmaram que vão acionar as autoridades para investigar perfis que publicaram mensagens com teor de violência sexual, necrofilia e deboche contra a vítima.

Segundo elas, os conteúdos não apenas teriam sido ofensivos, como também podem configurar violações legais relacionadas à violência psicológica, assédio e incitação ao desrespeito, especialmente por terem sido difundidos em meio à comoção gerada pela morte de Maria Eduarda.

Elas destacaram ainda que a apuração deve incluir a identificação dos responsáveis pelas postagens, bem como a verificação de compartilhamentos e repercussões em outras redes.

A intenção, de acordo com as parlamentares, é que o caso seja tratado com rigor pelas instâncias competentes, de modo a coibir práticas semelhantes e responsabilizar os envolvidos.

“Se juntar direitinho as peças dá pra se divertir ainda”, dizia um comentário publicado no X, o antigo Twitter.

“Vou fazer concurso para o IML”, ironizava outro.

Em peça encaminhada à Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, a deputada sustenta que as práticas incorrem no crime de apologia de fato criminoso, conforme previsto no artigo 287 do Código Penal.

“Essas publicações vão além do simples comentário ofensivo e passam a assumir um caráter de incentivo, exaltação, naturalização e difusão de violência sexual. No conteúdo, o estupro e a necrofilia aparecem como elementos tratados como humor, como algo aprovado ou até como desejo socialmente aceitável”, afirmaram as deputadas, ao defender que os casos sejam investigados pelas autoridades competentes.

Elas ressaltaram que a gravidade do que foi disseminado amplia os impactos sobre a vítima e sobre a sociedade, ao reforçar práticas de desumanização e de desrespeito, principalmente em contextos de vulnerabilidade e luto.

“O objetivo é responsabilizar quem produziu e compartilhou esse tipo de conteúdo, garantindo que a apuração considere autoria, alcance e possíveis conexões entre perfis”, completaram.