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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Trump revoga visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos em meio a tensão diplomática

O governo de Donald Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma medida considerada de retaliação às recentes decisões do governo brasileiro.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a decisão ocorreu após o Brasil negar, no mês passado, vistos para dois diplomatas americanos que pretendiam viajar a Brasília e diante da demora do governo brasileiro em aprovar a indicação de Danny Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

Apesar da revogação do visto, Viotti não foi declarada persona non grata e não está sendo expulsa do território americano. O governo dos EUA informou que, caso ela deixe o país, terá de solicitar um novo visto para retornar.

Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou que Trump tem autoridade para definir quem representa os interesses americanos no exterior e acusou países estrangeiros de tentar interferir nos processos internos dos Estados Unidos.

Autoridades americanas disseram que a medida poderia ser revertida caso o governo brasileiro aceite a indicação de Perez. Uma fonte do Departamento de Estado afirmou à Associated Press que a reciprocidade é a regra nas relações diplomáticas.

A tensão aumentou após o Brasil negar autorização para a entrada de Riley Barnes, secretário de Estado adjunto para democracia, direitos humanos e trabalho, e de um assessor. Os dois planejavam visitar Brasília entre 27 e 30 de julho para reuniões sobre integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.

O governo americano afirmou que a viagem teria caráter diplomático e negou que os funcionários pretendessem interferir nas eleições brasileiras. Já o governo brasileiro não teria demonstrado disposição para aprovar a indicação de Perez antes das eleições de outubro.

A crise ocorre em meio a uma série de atritos entre Washington e Brasília. O governo Trump elevou tarifas sobre produtos brasileiros, chegando a 37,5% para milhares de exportações, e também classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

As medidas provocaram críticas do governo Lula, que considera as ações americanas uma tentativa de pressionar o Brasil e influenciar o cenário político nacional.

A relação entre os dois governos também é marcada pela proximidade entre Donald Trump e integrantes da família Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro estiveram em Washington no fim de maio, onde se reuniram com autoridades americanas.

No Brasil, Flávio Bolsonaro foi confirmado pelo Partido Liberal como candidato à Presidência da República. Ele deverá enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva na disputa eleitoral de outubro.

O cenário eleitoral também está relacionado às divergências entre os governos. Jair Bolsonaro, pai de Flávio, há anos questiona a segurança das urnas eletrônicas, embora não tenha apresentado provas de fraude. Atualmente, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.