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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Lito Sousa pode ser o primeiro humano a testar remédio para doença rara

A família de Lito Sousa procura uma alternativa ainda em caráter experimental para tentar frear a evolução da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), enfermidade diagnosticada em um criador de conteúdo, piloto e mecânico de aviação de 59 anos. Em entrevista ao Fantástico, Mila Seidl, esposa de Lito, afirmou que está em tratativas com uma empresa de biotecnologia para viabilizar que ele tenha acesso a um medicamento em fase de testes.
“Eu não posso falar o nome [da empresa] agora, mas a gente talvez consiga alguma coisa. O Lito talvez seja a primeira pessoa a testar esse medicamento. Ele já foi testado in vitro, em peixes, macacos. A gente está disposto a assumir esse risco e tentar ter um desfecho diferente”, disse.

Como ainda não existe um tratamento convencional capaz de interromper a progressão da Doença de Creutzfeldt-Jakob, a família busca, agora, autorização para que Lito possa ter acesso a medicamentos que permanecem em estudo nos Estados Unidos.

Entre as alternativas, está o uso compassivo, um procedimento que pode ser autorizado em situações específicas para que pacientes com enfermidades graves e sem opções terapêuticas disponíveis recebam substâncias experimentais fora do formato tradicional dos ensaios clínicos.

Mila Seidl também tentou incluir o marido em pesquisas conduzidas nos Estados Unidos e na China. Ainda assim, os estudos seguem regras próprias e, após o início das investigações, os critérios não permitiram a entrada de Lito.

“Não sou negacionista e sei que é uma doença grave. Mas ouvimos de médicos que, se conseguirmos acesso aos remédios do estudo, talvez seja possível pausar o avanço da doença. Por isso solicitamos apoio de órgãos como o Ministério da Saúde, Anvisa e Itamaraty”, continuou Mila.

A DCJ é uma enfermidade neurodegenerativa rara, caracterizada por uma evolução rápida e que afeta diretamente o cérebro. Em geral, o quadro está associado aos príons, proteínas naturalmente presentes no organismo que, em muitos casos, passam por uma alteração de estrutura por causas ainda não totalmente compreendidas.

Quando ocorre essa transformação, a proteína anormal acaba “convencendo” outras proteínas saudáveis a adotarem o mesmo formato inadequado. A consequência é a formação de agregados que interferem no funcionamento dos neurônios, acelerando a deterioração e levando a uma perda rápida das funções cerebrais.