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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

‘Gostando muito do jatinho’ dispara mulher de Alexandre de Moraes a Vorcaro

Mensagens divulgadas pela Polícia Federal apontam que Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, manteve contato com funcionários da Prime You, empresa associada ao Banco Master. Em uma das conversas, Viviane afirmou estar “gostando muito” de utilizar um jato Legacy 650.

Após a repercussão do conteúdo das mensagens, o escritório Barci de Moraes divulgou uma nota à imprensa esclarecendo que não chegou a firmar o contrato relacionado ao uso da aeronave.

A conversa foi encaminhada por um funcionário da Prime You a Daniel Vorcaro, que, à época, era sócio da empresa. O conteúdo acabou sendo incorporado ao inquérito que investiga operações relacionadas ao Banco Master e que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

As mensagens passaram a integrar o conjunto de documentos analisados durante a investigação, que reúne informações sobre negociações e operações envolvendo pessoas e empresas ligadas ao grupo financeiro.

No material reunido pela Polícia Federal, consta ainda uma minuta de contrato entre o escritório Barci de Moraes Advogados e a Viking Participações, holding patrimonial ligada a Daniel Vorcaro. O documento previa a prestação de R$ 50 milhões em serviços jurídicos, com uma parte do pagamento relacionada a cotas de utilização de um jato Legacy 650 e de um helicóptero EC155 B1.

A PF também registrou mensagens que, segundo o relatório, indicariam a participação de Viviane Barci de Moraes na utilização das aeronaves. Em uma das conversas, um funcionário da Prime You questionou se ela e seus familiares estavam satisfeitos com o uso das cotas disponibilizadas.

Na sequência, de acordo com o trecho reproduzido no relatório policial, o funcionário identificado como Marcos encaminhou a Daniel Vorcaro uma captura da conversa mantida com Viviane. Na mensagem, ele perguntou se a família estava “gostando da utilização das cotas de vocês”. Viviane teria respondido: “Sim, estamos gostando muito”.

O diálogo foi incluído entre os elementos analisados no inquérito que investiga operações envolvendo o Banco Master. Após a divulgação do conteúdo, o escritório Barci de Moraes informou, por meio de nota enviada à imprensa, que o contrato relacionado às aeronaves não chegou a ser formalizado.

As mensagens analisadas pela Polícia Federal também apontam para uma preocupação em relação à forma como a propriedade do jato seria estruturada e registrada. Em uma conversa datada de 24 de julho de 2025, o advogado Leonardo Palhares explicou a Daniel Vorcaro que havia receio sobre a exposição dos sócios da empresa que ficaria responsável pelo ativo.

Segundo Palhares, a preocupação estava relacionada à visibilidade dos proprietários da companhia e aos possíveis impactos para a imagem dos envolvidos. “Eles queriam que a empresa que fosse dona do ativo fosse uma em que os sócios estão muito visíveis, e haveria risco reputacional grande”, afirmou o advogado, conforme as mensagens incluídas no material da investigação.

Em outro diálogo, Vorcaro orientou uma funcionária da Prime You a continuar prestando atendimento ao escritório Barci de Moraes durante o processo de agendamento dos voos realizados com o Legacy 650. A recomendação aparece nas conversas reunidas e analisadas pela Polícia Federal no âmbito do inquérito.

O conteúdo das mensagens passou a integrar os documentos investigados no processo que apura operações envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao grupo. O caso segue sob análise no Supremo Tribunal Federal (STF).

O escritório Barci de Moraes, por sua vez, negou à imprensa que o acordo envolvendo a utilização do jatinho tenha sido efetivamente concluído. Segundo a defesa, existia apenas uma contratação entre o escritório e o Banco Master, enquanto a proposta que previa uma negociação relacionada às aeronaves não teria sido aceita.

Em nota, o escritório afirmou que não houve transferência ou substituição do contrato originalmente firmado. A defesa também declarou que nenhum documento referente à nova proposta chegou a ser assinado.

“O escritório possuía somente uma contratação com o Master e nega qualquer transferência ou substituição do contrato. A proposta do Banco Master não foi aceita, nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição”, informou a nota.

Dessa forma, o escritório sustenta que a minuta mencionada no material analisado pela Polícia Federal não resultou em um acordo formal. As informações e mensagens, no entanto, seguem incluídas entre os documentos reunidos no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal e apura operações relacionadas ao Banco Master.