
Isabelle Caracristi, deixou registros de conversas e mensagens antes de morrer, que agora fazem parte da investigação sobre sua queda de um prédio. Nos conteúdos recuperados pela polícia, ela relatou supostas ameaças, cobranças financeiras e restrições impostas pelo namorado, João.
Minutos antes da queda, a vítima enviou áudios e mensagens a familiares e amigas. Em uma gravação encaminhada ao primo, afirmou que estava sendo ameaçada diretamente, pediu que o arquivo não fosse apagado e solicitou que ele desse apoio à mãe dela.
Em outras conversas, a jovem relatou que sofria controle sobre a própria rotina e que era impedida de sair sozinha. Ela também afirmou não suportar mais a situação e classificou o comportamento do namorado como “doente”, alegando que ele fazia ameaças relacionadas às suas atividades.
Antes da morte, ela também teria enviado uma mensagem de despedida para a mãe e o irmão. No texto, pediu perdão, declarou amor aos dois e afirmou que havia sido vencida pelo medo. As conversas analisadas pela polícia também fazem referência a questões financeiras. Em uma delas, João teria cobrado R$ 13,5 mil e mencionado que ainda precisava do dinheiro da mãe de Isabelle.
A advogada da família, confirmou que existia um empréstimo e afirmou que o comportamento de João teria mudado depois da movimentação financeira. O homem, porém, apresentou outra versão durante depoimento. Ele disse ter emprestado pouco mais de R$ 14 mil à jovem e que a mãe dele teria repassado outros R$ 7 mil. João nega ameaças e agressões.
Antes da morte, Isabelle também era ré em um processo cível que tramita na Justiça do Rio Grande do Sul. A ação foi protocolada em junho de 2025, na comarca de Santa Maria, por uma mulher que afirma ter conhecido a jovem pelo TikTok.
Conforme o processo, Isabelle utilizava o nome “Morgana” em atividades de streaming. A autora afirma que realizou transferências após uma proposta relacionada ao jogo “Gráfico” e que posteriormente emprestou dinheiro à jovem, mas não recebeu os valores de volta.
A mulher pede indenização de R$ 10 mil por danos morais, além da restituição dos valores que afirma ter perdido. O valor atribuído à causa é de R$ 10.580. Ela também relata ter registrado boletim de ocorrência por possível estelionato. As acusações são alegações apresentadas no processo e não equivalem a uma condenação ou a uma decisão judicial que reconheça os fatos.
No caso da morte, a polícia investiga imagens de segurança, celulares, e-mails e informações de localização. Registros mostram Isabelle entrando sozinha no elevador em direção à cobertura às 19h12. A queda ocorreu aproximadamente às 20h40.
Os investigadores analisam cerca de 700 vídeos do condomínio e mais de 400 mil mensagens encontradas no celular de João. A perícia apontou que a queda foi voluntária e descartou acidente por causa da altura do parapeito. Também não foram encontradas lesões de defesa que indicassem uma possível luta corporal.
A síndica do condomínio relatou ainda que João teria procurado o celular de Isabelle nas lixeiras no dia seguinte à morte. Segundo ela, ele também teria impedido a entrada de familiares no condomínio, solicitado a limpeza do apartamento e colocado o imóvel à venda.
A defesa contesta as acusações de controle e abuso psicológico. Os advogados afirmam que o relacionamento era recente e que Isabelle tinha liberdade para entrar e sair do apartamento.
Até agora, 25 pessoas foram ouvidas pelas autoridades. João não foi condenado pelo caso.



