
Manaus – A gastronomia amazonense perdeu uma de suas principais referências. A chef Maria do Céu Athayde morreu na sexta-feira (24), em Manaus, após décadas de dedicação à pesquisa, valorização e divulgação dos sabores da Amazônia. A causa da morte não foi informada.
A confirmação foi feita pelo Amazonas Convention & Visitors Bureau, que lamentou a morte e destacou a trajetória da chef na promoção da culinária regional. Segundo a entidade, Maria do Céu deixa como legado o talento, a dedicação e o compromisso com os ingredientes e as tradições amazônicas.
Natural de Manaus, Maria do Céu teve contato com a culinária ainda na infância. Aos 9 anos, começou a cozinhar e encontrou no Mercado Municipal Adolpho Lisboa, durante visitas acompanhada do pai, algumas de suas primeiras referências gastronômicas. Peixes, ervas e outros produtos típicos da região passaram a fazer parte de sua memória e, posteriormente, de seu trabalho.
Ao longo da carreira, tornou-se uma das principais defensoras dos ingredientes amazônicos, com destaque para produtos como tucupi, chicória, alfavaca e os peixes da região. Entre suas contribuições esteve a valorização do aruanã na alta gastronomia, ajudando a ampliar o reconhecimento do peixe entre chefs e consumidores.
Pesquisa e formação
A atuação de Maria do Céu ultrapassou as cozinhas. Ela também se destacou como pesquisadora da gastronomia amazonense e aprofundou estudos sobre ingredientes, costumes e a história da alimentação na região.
O artista plástico Moacir Andrade foi uma das pessoas que a incentivaram a pesquisar a cultura e a culinária do Amazonas. O conhecimento acumulado ao longo dos anos fez dela uma referência no assunto e uma importante divulgadora da identidade gastronômica amazônica.
Sua trajetória incluiu participação em festivais, feiras gastronômicas, programas de televisão e eventos no Brasil e no exterior. Em 2017, durante a Feira Internacional de Gastronomia Amazônica, foi reconhecida como uma das “verdadeiras embaixadoras da culinária amazônica”.
Mesmo nos últimos anos, Maria do Céu permaneceu ativa em aulas, palestras e eventos, compartilhando experiências e conhecimentos com novos profissionais e defendendo o uso dos produtos da floresta na gastronomia.
Legado
A morte da chef provocou manifestações de pesar entre representantes dos setores de turismo, gastronomia e cultura do Amazonas. Profissionais destacaram sua importância para a história da culinária regional e ressaltaram que seu trabalho continuará servindo de inspiração para novas gerações.
Ao transformar ingredientes tradicionais em elementos de valorização da identidade amazonense, Maria do Céu Athayde ajudou a ampliar o reconhecimento da gastronomia do Estado dentro e fora da região.
Seu trabalho também contribuiu para aproximar a culinária amazônica do turismo e da cultura, consolidando os sabores da floresta como parte importante do patrimônio e da identidade do Amazonas.


