Governo do Amazonas vai transferir 235 pacientes com Covid-19 para tratamento em outros estados

Os governos do Amazonas e Federal lançaram, nesta quinta-feira (14/01), um Plano de Cooperação, com o apoio de outros cinco estados brasileiros, para o transporte aéreo e tratamento, num primeiro momento, de 235 pacientes acometidos pela Covid-19 em Manaus, cujos quadros clínicos são considerados moderados.

A medida, anunciada pelo governador do Amazonas, Wilson Lima, em pronunciamento à frente do Comitê de Resposta Rápida nas redes oficiais do Governo do Estado, foi tomada com base na escassez de oxigênio para suprir a demanda gerada com o aumento de hospitalizações decorrentes da pandemia na rede pública estadual de saúde.

“Estamos no momento mais crítico da pandemia. Algo sem precedentes no estado do Amazonas, em que enfrentamos muitas dificuldades em conseguir insumos. A principal dificuldade atualmente tem sido a aquisição de oxigênio”, destacou o governador do Amazonas, Wilson Lima, durante o pronunciamento, que teve ainda a presença do secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde (MS), coronel Luiz Otávio Franco Duarte, e do secretário de Estado de Saúde, Marcellus Campêlo, entre outros representantes de órgãos estaduais.

Cem pacientes serão transferidos para hospitais da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), no Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Goiás e Distrito Federal, além de mais 100 para a rede estadual de saúde de Goiás.

O secretário de Estado da Saúde, Marcellus Campêlo, destacou que, na noite da última quarta-feira (13/01), a empresa fornecedora da maior parte dos gases medicinais à rede pública estadual oficializou “dificuldades em relação à execução do plano logístico para a entrega de insumos e a alta demanda que vinha ocorrendo” na rede pública de saúde. O Governo do Amazonas executa, hoje, a fase 5 do Plano de Contingência que visa frear a pandemia no estado.

Diante disso, uma estratégia foi desenvolvida para a transferência dos pacientes. “Os governos e as Forças Armadas começaram a trabalhar para o apoio logístico e a entrega de oxigênio. Mas, tivemos um pico e um aumento da demanda acima do esperado”, explicou. O aumento expressivo ocorreu entre os dias 1º e 12 deste mês.

De acordo com o secretário, entre os meses de março e maio, houve um consumo máximo 30 mil metros cúbicos/mês. Hoje, são mais de 76 mil, um acréscimo de 160%.

Marcellus explicou que a falta do insumo também prejudicará a abertura de leitos já prontos para serem habilitados em unidades como o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) e no Hospital Nilton Lins, cuja estrutura está pronta para entrar em funcionamento. “Não conseguiram ativar leitos em virtude da contingência de oxigênio, que ocorre sem precedentes (no estado). É necessário que a população compreenda e apoie (as medidas)”, frisou.

O secretário de Atenção Especializada do MS, coronel Luiz Otávio Franco Duarte, destacou que o transporte dos pacientes será feito de forma coordenada, com apoio assistencial de pelo menos duas equipes de saúde. Em um primeiro momento, a empresa Gol Linhas Aéreas dará o suporte, mas outras empresas poderão ser contratadas no decorrer do plano. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também está auxiliando no fornecimento de material a ser utilizado no transporte.

“São pacientes que ainda continuam dependente do oxigênio, mas eles têm toda a segurança para serem aerotransportados. É muito importante entender que o paciente do Amazonas que subir na aeronave terá toda a segurança e assistência, com cobertura até de assistentes psicossociais para que não haja falha nenhuma”, garantiu.

Ele destacou a importância da união das três esferas, através do SUS Tripartite, para equacionar a questão. Reforçou, ainda, que um estudo de viabilidade técnica foi realizado, para levantar quais estados teriam condições de auxiliar no apoio assistencial, sem que suas redes de saúde fossem muito impactadas.

Segundo Franco Duarte, uma cooperação técnica junto ao Hospital Sírio-Libanês tem sido desenvolvida para otimizar o uso de oxigênio, uma vez que pacientes em estágio moderado da doença consomem, em média, 15 mil litros do insumo por minuto, em função da dispneia.

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