
Poucos dias após a repercussão de um gesto feito durante um discurso em defesa do acesso da população de baixa renda a produtos de maior qualidade, um levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou que a carne bovina continua pesando no bolso dos brasileiros.
Dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apontam que a picanha acumulou alta de 8,5% entre dezembro de 2022 e abril deste ano. O período corresponde aos primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante o qual a redução do preço dos alimentos foi uma das promessas de campanha.
Apesar da alta da picanha, outros cortes registraram aumentos ainda maiores. A alcatra liderou o ranking, com elevação de 21,2%, seguida pelo contrafilé, que subiu 15,3%, e pela fraldinha, com avanço de 13,9%.
O carvão também ficou mais caro, acumulando aumento de 26,1% no período, percentual superior à inflação registrada no intervalo, de 13,8%, segundo o levantamento.
Especialistas apontam que a valorização da carne bovina é resultado de uma combinação de fatores, como o aumento da demanda internacional, especialmente da China, a desvalorização do real frente ao dólar, o encarecimento dos custos de produção e o atual ciclo pecuário, que reduz a oferta de animais prontos para o abate.
Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, publicou um vídeo nas redes sociais simulando uma compra para churrasco com R$ 100. Na gravação, ele compara os preços de itens como carvão, farofa, pão de alho, linguiça e diferentes cortes de carne, incluindo picanha, alcatra e coxão mole, para ilustrar o impacto da alta dos alimentos no orçamento do consumidor.


