26.6 C
Manaus
sexta-feira, 12 de junho de 2026

Tarifas de energia no Brasil podem subir 8,6% em 2026 com alta de encargos e custos do setor

A tarifa média de energia elétrica no Brasil deve aumentar 8,6% em 2026, segundo a segunda edição do boletim InfoTarifas, divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta sexta-feira (12). A projeção supera as principais estimativas de inflação para o período, que apontam alta de 4,9% no IPCA e de 5,8% no IGP-M.

Para os consumidores residenciais, o valor médio da tarifa sem impostos deve alcançar R$ 851 por megawatt-hora (MWh). Sobre esse montante ainda incidem tributos como ICMS e PIS/Cofins, que elevam o custo final da conta de luz.

De acordo com a Aneel, a composição da tarifa nacional é formada principalmente pelo custo da geração de energia, que representa 39% do valor total, seguido pela distribuição (32%), encargos setoriais (20%) e transmissão (9%).

Entre os fatores que devem pressionar o reajuste está o aumento dos encargos do setor elétrico. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), responsável por financiar subsídios e programas sociais, terá impacto estimado de 3 pontos percentuais na alta média das tarifas.

Outro ponto que influencia o cenário é a revisão tarifária das distribuidoras. Em 2026, a Aneel prevê 15 processos para reavaliar investimentos das empresas, incluindo a chamada Base de Remuneração Regulatória (BRR), que teve crescimento médio de 100% no período analisado.

O levantamento também aponta que os subsídios repassados às contas de energia somaram R$ 55 bilhões entre junho de 2025 e maio de 2026.

Apesar da projeção de alta nacional, algumas regiões devem ter redução na tarifa. Consumidores atendidos por 22 distribuidoras das áreas da Sudam e Sudene, que abrangem estados do Norte, Nordeste, Mato Grosso e partes de Minas Gerais e Espírito Santo, podem receber descontos de até 5,8%.

A redução será possível por meio da antecipação de pagamentos do Uso de Bem Público (UBP), valores pagos por geradoras de energia pela exploração de recursos naturais.

A Aneel também avalia mudanças no calendário do bônus de Itaipu, benefício destinado a consumidores residenciais e rurais de menor consumo. A proposta é transferir o desconto das faturas de julho para agosto.

Além disso, a agência discute a criação de uma tarifa fixa para consumidores de baixa tensão, como residências e pequenos comércios. Caso seja aprovada, a medida deve começar a valer em 2028, substituindo a atual cobrança mínima obrigatória por um valor mensal fixo conforme o tipo de ligação elétrica.