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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Bembé do Mercado e a força do candomblé chegam à Sapucaí com a Beija-Flor

A Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis levará para a Marquês de Sapucaí, em 2026, o enredo “Bembé do Mercado”, uma celebração da rica história e resistência do candomblé de rua. A escolha do tema marca um momento significativo na avenida, trazendo à tona a luta por liberdade de expressão e a perpetuação da cultura afro-brasileira.

A importância do Bembé do Mercado

Desde 1889, o Bembé do Mercado é uma manifestação de rua que celebra a Abolição da Escravatura, denunciando a incompletude da Lei Áurea e reivindicando o direito de se manifestar livremente, seja na culinária, na dança, na música ou na religião. A iniciativa busca dar visibilidade a “Brasis que o Brasil não conhece”, como destaca o carnavalesco João Vitor, ressaltando a relevância de enredos autorais que mergulham nas entranhas da história e da cultura nacional.

Ancestralidade e representatividade

A ancestralidade do Bembé é representada por figuras como babalorixá João de Obá, Pai Tidu, Mãe Lídia e, atualmente, Pai Pote, que preside a associação que reúne 65 terreiros, além de outros 100 participantes na manifestação de rua. Pai Pote expressou sua felicidade com a escolha da Beija-Flor, comparando a comunidade da escola à do Bembé na luta pela população negra, pela cultura e contra a intolerância religiosa.

O enredo transcende a celebração do Bembé de Santo Amaro da Purificação, abraçando todos os candomblés da Bahia, do Brasil e do mundo. “A homenagem não é só ao Bembé, é ao povo negro, aos terreiros, aos macumbeiros. Esse termo não é pejorativo, é importante ser macumbeiro, sim”, afirma Pai Pote, que descreve a riqueza cultural que será apresentada, incluindo a culinária afro, manifestações populares e a força de marisqueiras, farinheiras, capoeiristas e feirantes.

Aprovação espiritual e artística

A concepção do enredo contou com uma aprovação espiritual através de um jogo de búzios realizado por Pai Pote, nos pés de Ogum. O carnavalesco João Vitor ressalta a importância de abordar um tema tão sagrado com respeito e sensibilidade, buscando evitar clichês e desrespeito. O enredo foi dividido em seis setores, cada um representando um dia de festa, com o branco e o elemento água marcando o início e o fim do desfile.

Novos intérpretes e samba de excelência

Após 50 anos de trajetória de Neguinho da Beija-Flor, a escola apresentará em 2026 os novos intérpretes Nino Milênio e Jéssica Martin. Ambos expressam a honra e a responsabilidade de assumir este posto, reconhecendo a grandiosidade de Neguinho. A parceria entre Nino e Jéssica tem sido elogiada, com ambos demonstrando talento e dedicação. A comunidade da escola também demonstrou grande aceitação e entusiasmo com o enredo e o samba-enredo, que tem sido descrito como “excelente” por muitos.

Com informações da Agência Brasil