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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Bloco do Amor celebra carnaval respeitoso e livre de preconceitos no DF

O Bloco do Amor, que completa 11 anos de história em Brasília, reafirmou seu compromisso com um carnaval respeitoso e livre de preconceitos neste sábado. Reunindo um público estimado em quase 70 mil pessoas, segundo os organizadores, o bloco ocupou os arredores da Biblioteca e do Museu Nacional com manifestações político-poéticas de respeito, diversidade e afeto coletivo.

Fundado em 2015, o Bloco do Amor nasceu com o propósito de transformar o centro da capital em um espaço de celebração das diferenças. A edição de 2026 trouxe o lema “Sonhar como Ato de Existência”, que enxerga o sonho e a alegria como ferramentas de resistência e transformação social. O bloco se destaca por ser um território livre de preconceitos, especialmente acolhedor para a comunidade LGBTQIAPN+, onde a folia acontece de forma respeitosa.

Diversidade de ritmos e público

A diversidade é uma marca registrada do Bloco do Amor, que abrange uma ampla gama de ritmos musicais, do axé retrô ao eletrônico, passando por pop, MPB e forró. “A diversidade está presente, inclusive, na variedade de ritmos que empurram os foliões”, explicou Letícia Helena, coordenadora geral do bloco, à Agência Brasil.

Letícia Helena ressaltou que o bloco surgiu da “necessidade de discutirmos o amor nesta cidade; o que queremos e o que somos, de forma a trazer mais representatividade para os espaços”. A produtora cultural, cantora e figurinista, formada em Artes Cênicas pela UnB, relembrou que a primeira edição ocorreu na Via S2 do Plano Piloto, e que o crescimento do público levou à mudança para a área externa do Museu Nacional.

Segurança e respeito como prioridade

Ao longo de 11 anos, o Bloco do Amor tem utilizado a comunicação para disseminar mensagens sobre aceitação e bom convívio na diversidade. “Percebemos, ao longo desses anos, muitas coisas melhorando. Isso está nas estatísticas. Para você ter uma ideia, o número de casos de assédio eram muito grandes no começo. Mas em 2024 conseguimos fazer uma festa que, segundo a Secretaria de Segurança Pública, zerou a quantidade de registros de violência e assédio contra mulheres”, comemorou Helena.

A coordenadora atribui esses avanços ao trabalho de preparação da equipe de produção e aos protocolos estabelecidos para lidar com diversas situações, garantindo um ambiente seguro para todos os foliões.

Vozes do Bloco do Amor

O público presente no bloco compartilha do mesmo sentimento de segurança e aceitação. Fernando Franq e Ana Flávia Garcia, por exemplo, descrevem o Bloco do Amor como “o bloco dos corações do casal”, um “ambiente com o qual nos identificamos, de muita arte e com muitos artistas. Um lugar seguro para a comunidade LGBT, organizado por amigos que também estão em nossos corações”, disse Fernando.

Ana Flávia acrescentou que o bloco é “seguro e sem preconceitos. É um ambiente reverberado por pessoas apropriadas do próprio corpo. Aqui, todos são aceitos”.

Clarisse Pontes, 22, que participa pela primeira vez de um bloco de carnaval, busca “muita paz e curtição”, associando o Bloco do Amor à aceitação e ao respeito à diversidade. Alasca Ricarte, 23, estudante de design, vê o carnaval como uma oportunidade de autenticidade e liberdade: “O que mais agrada aqui é isso: ser livre como quero, ser aceito e aceitar a todos como todos são”.

Ana Luíza, 25, estudante, escolheu o Bloco do Amor em busca de um carnaval onde “homens e mulheres se respeitam”. Ela destaca o ambiente de aceitação e segurança, onde o lema é o amor e o convívio entre pessoas que buscam a alegria do carnaval.

Ricardo Maurício, 41, acompanhado da esposa e da filha de 7 anos, ressalta a importância de conversar sobre diversidade com a família. “Sempre trabalhei esse tema da diversidade com a minha família, até porque temos uma família diversa”, disse, desejando que a filha compreenda a “riqueza das diferenças”.

Com informações da Agência Brasil