
A GRES Imperatriz Leopoldinense promete agitar o carnaval carioca ao levar para a avenida o universo transgressor e multifacetado de Ney Matogrosso. O carnavalesco Leandro Vieira revelou que o enredo explorará as diversas personalidades e representações que o artista assumiu ao longo de sua carreira, consolidando o corpo como manifesto político e o vestuário como expressão estética.
“O que ele escolheu vestir e os personagens que incorporou não foram escolhas inocentes”, destacou Vieira, ressaltando que a escola apresentará o legado de um artista que, por mais de 50 anos, desafiou definições únicas e se tornou um símbolo do direito de ser quem se é.
Um artista de múltiplos papéis
O carnavalesco explicou que o interesse em Ney Matogrosso reside em sua capacidade de permanência na contradição e na liberdade de assumir diferentes identidades. “Ele se colocou contrário à ideia de definição única e de ter permanecido assim por mais de 50 anos. O Ney é uma bandeira do direito a ser quem se é. É uma bandeira do direito de ser quem se quer ser. Ao assumir essa personalidade, ele assumiu-se bicho selvagem, homem, mulher, andrógeno, bandido, ser sexualizado.”
Personagens icônicos na avenida
A Imperatriz revisitá fases marcantes da carreira de Ney. Uma delas é a fase do disco “Bandido”, de 1976, onde o artista interpretou um “bandido andrógeno, sexual, que faz strip-tease no palco”. Outra representação será o homem neandertal, personagem criado para o show e disco de 1975, que serviu como uma forma de contrariar o aspecto normativo social durante a ditadura militar.
Vieira também mencionou o disco “Pecado”, lançado em um período de endurecimento da ditadura, e a ousadia de Ney em se deixar fotografar seminu para o encarte de um LP censurado. “Ele foi assumindo diversas personalidades, todas transgressoras, todas manifestos políticos e manifestos públicos de liberdade”, pontuou o carnavalesco.
Autenticidade que cativa o público
Leandro Vieira ressaltou que o sucesso de Ney Matogrosso, inclusive com o público infantil na fase do Secos e Molhados, com a canção “Vira”, demonstra a autenticidade do artista. “O público gostava cada vez mais. O Ney Matogrosso dos Secos e Molhados, da canção Vira, fez um sucesso tremendo com o público infantil. Aquela criatura mascarada, dançando enfeitada, com coreografia que misturava música portuguesa, aquilo fez um sucesso enorme com as crianças.”
Para o carnavalesco, essa autenticidade é o que deve encantar o sambódromo. “O Ney Matogrosso não é o estereótipo da liberdade. Ele não é o estereótipo da fantasia. Ele é a liberdade e a fantasia em pessoa. Ele não estereotipou isso para ser aceito, para ser palatável.”
Um enredo de admiração
Leandro Vieira assumiu ser fã de Ney Matogrosso e confessou que o enredo é um desejo antigo. “É uma personalidade que une tudo que eu gosto. Une a transgressão estética, visual exuberante, discurso político, corpo como manifesto. Gosto, porque isso é carnaval. O Ney Matogrosso, para mim, é o carnaval em pessoa.”
Ney Matogrosso tem se envolvido ativamente com a escola, visitando ensaios e o barracão, o que tem enriquecido o processo criativo. “Por se emocionarem diante daquilo que você apresenta, por reconhecerem-se naquilo. É bom quando apresento um figurino, que é parte da história ou representa uma canção para a pessoa que viveu aquilo, e a pessoa se emociona. É o que eu tenho vivido com o Ney aqui”, disse Vieira.
Com informações da Agência Brasil


