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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Roubo de obras de Monet, Picasso e Dalí no Rio prescreve após 20 anos sem punição

O roubo de cinco obras de arte de valor inestimável, incluindo peças de Claude Monet, Pablo Picasso e Salvador Dalí, que ocorreu em pleno Carnaval de 2006 no Rio de Janeiro, prescreveu oficialmente nesta semana. Após 20 anos, os responsáveis pelo crime, considerado um dos maiores do Brasil e um dos dez maiores do mundo pelo FBI, não poderão mais ser punidos pela Justiça.

O crime em pleno bloco de Carnaval

Na sexta-feira de Carnaval, 24 de fevereiro de 2006, enquanto o Bloco das Carmelitas tomava as ruas de Santa Tereza, um grupo de homens escalou os muros do Museu da Chácara do Céu e subtraiu cinco obras de arte. As peças, avaliadas em mais de US$ 10 milhões na época, desapareceram em meio à multidão de foliões, sem que a maioria percebesse a ação criminosa.

“A gente pensava que era algo acontecendo dentro do próprio Carmelitas, como furto ou outra confusão”, lembra o produtor Daniel Furiati, que estava presente no local.

Suspeitos e investigações infrutíferas

Ao longo dos anos, três nomes surgiram como principais suspeitos: Paulo Gessé, Michel Cohen e Patrice Rouge. As investigações, no entanto, não reuniram provas concretas para a condenação.

Paulo Gessé chegou a ter a residência vasculhada e foi preso, mas a Justiça entendeu que não havia elementos suficientes para torná-lo réu. O negociador francês Michel Cohen, com histórico de fraudes nos EUA, foi preso no Rio em 2003, mas fugiu antes do roubo e permaneceu foragido por anos. O artesão francês Patrice Rouge, que negou veementemente qualquer participação, foi incluído na lista após denúncias anônimas e por possuir uma casa próxima ao museu.

Patrice Rouge nega envolvimento

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Patrice Rouge, que hoje vive na França, classificou a acusação como absurda e declarou que a história o prejudicou imensamente. Ele afirmou ter voltado definitivamente para a França em 2005, antes do roubo, e que esteve no Rio em 2025 para solicitar um registro de suas entradas no país.

“A arte do descaso”: um livro sobre a negligência

A jornalista Cristina Tardáguila, autora do livro A Arte do Descaso, publicado em 2015, aponta um generalizado desinteresse institucional na solução do crime. Segundo ela, houve negligência por parte da diretoria do museu, do governo federal, do Ministério da Cultura, da polícia e da própria mídia.

O livro detalha uma série de falhas, como o atraso na chegada da polícia ao local, a contaminação da cena do crime e a falha na comunicação das características das obras roubadas. Um dos episódios mais emblemáticos foi o desaparecimento do inquérito policial, que só foi encontrado em 2015.

O Ministério Público Federal informou que o processo criminal principal foi arquivado provisoriamente devido à falta de autoria definida, permanecendo suspenso.

Reforço na segurança e legado das obras

Desde 2007, o Museu da Chácara do Céu fecha nos dias de Carnaval. Atualmente, o museu conta com um sistema de segurança moderno, com monitoramento 24 horas, câmeras em todos os corredores e áreas externas, além de uma equipe treinada e contato estreito com as forças de segurança.

As cinco obras roubadas – Marine (Monet), Le Jardin du Luxembourg (Matisse), La Danse (Picasso), Homme d’une Complexion Malsaine Écoutant le Bruit de la Mer sur les Deux Balcons (Dalí) e o livro de gravuras Toros (Picasso) – eram peças-chave do acervo do museu.

Especialistas lamentam a perda cultural e reforçam a necessidade de políticas públicas mais robustas para a proteção do patrimônio. Apesar da prescrição e do mistério não resolvido, o museu mantém a esperança de que as obras um dia sejam encontradas.

Um longa-metragem ficcional baseado no livro A Arte do Descaso está em fase de captação de financiamento, com expectativa de produção ainda este ano.

Com Informações da Agência Brasil