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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Tuiuti explora semelhanças da diáspora africana no Brasil e em Cuba em seu enredo de carnaval

A escola de samba Paraíso de Tuiuti apresentará em seu desfile de carnaval o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, que promete traçar paralelos entre a diáspora africana no Brasil e em Cuba, com foco especial na religiosidade afro-caribenha. A obra, encomendada pela agremiação ao professor de história e compositor Luiz Antonio Simas, em parceria com Claudio Russo e Gustavo Clarão, explora as profundas conexões entre as duas nações.

Desvendando o enredo “Lonã Ifá Lukumi”

O título do enredo carrega significados importantes: “Loña” refere-se às conexões entre humanos e divindades; “Lukumi” (ou Lucumí) designa os descendentes iorubás escravizados em Cuba; e “Ifá” é uma forma de religiosidade que une espiritualidade, racionalidade e filosofia, fundamentando diversas práticas rituais. A inspiração para o enredo veio do livro “Ifá Lucumí: o resgate da tradição”, de Nei Lopes.

Da África às Américas: a jornada do Ifá

O desfile será dividido em seis setores. O primeiro abordará a chegada do Ifá à Terra e a transmissão de conhecimento aos primeiros babalaôs (sacerdotes). Em seguida, a escola mostrará como o Ifá se espalhou por outras civilizações africanas. A diáspora africana, impulsionada pelo tráfico negreiro, e a resistência à escravidão em Cuba serão retratadas, incluindo a Revolta de Matanzas em 1843, liderada por Carlota Lacumí.

Um dos destaques será Adeshina Remigio Herrera, o primeiro babalaô do Ifá em Cuba, originário da província de Matanzas. O desfile também explorará o encontro da espiritualidade dos orixás com a ancestralidade dos povos originários no “novo mundo”, culminando no florescimento do Ifá Lucumí.

Cultura e religiosidade em evidência

A apresentação trará elementos que compõem o culto religioso, como locais de assentamento, rituais sagrados (ebós), comidas e oferendas, comparando-os ao candomblé brasileiro. A chegada do Ifá Lucumí ao Brasil, no início da década de 1990, com a vinda do babalaô cubano Rafael Zamora Díaz ao Rio de Janeiro, marcará o encerramento do desfile. A história de Díaz, que foi assassinado no Rio, também será abordada.

A Paraíso de Tuiuti, fundada em 1952, busca repetir o sucesso de seu vice-campeonato em 2018 com o enredo “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?”. A escola, com suas cores azul e amarelo, disputa ininterruptamente na elite do carnaval carioca desde 2017.

Com informações da Agência Brasil