
O diretor jurídico do Banco de Brasília (BRB), Roberto Veloso, apresentou sua renúncia ao cargo. A decisão ocorre em meio a investigações sobre operações realizadas entre o BRB e o Banco Master, que teriam sido consideradas irregulares por órgãos de fiscalização.
Entre 2023 e 2024, o BRB adquiriu duas carteiras de crédito do Banco Master no valor total de R$ 12,2 bilhões. Apurações indicam que essas carteiras eram compostas por ativos superfaturados ou inexistentes. O Banco Central (BC) chegou a rejeitar a intenção do BRB de adquirir o controle do Master em 2025, pouco antes da liquidação da instituição pelo próprio BC.
Alerta e vídeo contraditório
A renúncia de Veloso ganhou destaque após reportagem do site Metrópoles revelar um parecer jurídico assinado por ele. No documento, o diretor jurídico teria alertado sobre os riscos envolvidos nas operações com o Banco Master, enfatizando a importância de observar índices de liquidez e Basileia para a solidez financeira.
Contudo, o mesmo Veloso gravou um vídeo interno defendendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Na gravação, destinada a servidores da instituição, ele assegurou que “todos os cuidados jurídicos estavam sendo tomados” para que a operação seguisse os trâmites legais. O vídeo buscava ressaltar as “vantagens técnicas” da negociação, que foi barrada pelo BC e posteriormente investigada pela Polícia Federal.
Plano de capital e intervenção do governo
Para lidar com a crise de credibilidade e reforçar sua liquidez, o BRB apresentou um plano de capital ao Banco Central. O plano prevê medidas para recompor o patrimônio da instituição em até 180 dias, com um aporte mínimo estimado pelo BC em R$ 5 bilhões. O governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB com 72% do capital, está acompanhando de perto a situação.
Com informações da Agência Brasil

