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domingo, 19 de julho de 2026

Tarifaço dos EUA deve ter impacto indireto sobre a Zona Franca de Manaus, avalia setor produtivo

Manaus – A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar mais reflexos na economia nacional do que na Zona Franca de Manaus (ZFM). A avaliação é de representantes do setor produtivo amazonense, que apontam baixa exposição do Polo Industrial de Manaus (PIM) ao mercado norte-americano, mas alertam para possíveis impactos indiretos, como alta do dólar, aumento dos custos de produção e instabilidade econômica.

A medida, anunciada pela gestão do presidente Donald Trump, prevê a sobretaxação de diversos itens importados do Brasil, embora mantenha uma lista de aproximadamente 2,1 mil produtos isentos, entre eles carne bovina, café, laranja e componentes utilizados na fabricação de aeronaves.

Na avaliação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), os reflexos para a Zona Franca devem ser “marginais”. Dados da secretaria apontam que a balança comercial entre a ZFM e os Estados Unidos é amplamente favorável aos norte-americanos. Até junho deste ano, as importações oriundas dos EUA somaram US$ 625 milhões, enquanto as exportações da Zona Franca para o mercado americano alcançaram apenas US$ 35,3 milhões.

Segundo a Sedecti, esse cenário reduz a exposição direta da economia amazonense ao tarifaço, já que os Estados Unidos mantêm um superávit expressivo nas relações comerciais com a Zona Franca de Manaus.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, reforçou que o Polo Industrial de Manaus (PIM) tem como principal destino o mercado interno brasileiro, o que torna as exportações para os Estados Unidos pouco representativas dentro do faturamento total das empresas instaladas no polo.

Apesar da baixa exposição direta, o dirigente alertou para possíveis efeitos indiretos da medida, especialmente em razão da instabilidade econômica internacional. Segundo ele, uma valorização prolongada do dólar pode elevar os custos de importação de insumos utilizados pela indústria amazonense, afetando a competitividade das empresas.

Para Antonio Silva, a dimensão dos impactos dependerá, principalmente, das medidas que o Brasil adotar em resposta ao novo cenário comercial.

No setor de comércio e serviços, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, classificou o tarifaço como um fator que amplia as dificuldades para a economia brasileira. Segundo ele, a medida pode pressionar custos, elevar preços ao consumidor e gerar desafios para diferentes segmentos produtivos.

Frota afirmou que o comércio buscará alternativas para minimizar os efeitos da nova taxação, preservando a atividade econômica e os postos de trabalho diante das incertezas provocadas pelo cenário internacional.

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que acompanha os desdobramentos da decisão norte-americana, mas considera prematuro estimar seus impactos efetivos sobre o Polo Industrial de Manaus. Conforme o órgão, a extensão dos efeitos dependerá da regulamentação definitiva das tarifas, da relação de produtos atingidos, das exceções previstas e das medidas que venham a ser adotadas pelos governos brasileiro e dos Estados Unidos.

A autarquia ressaltou ainda que a maior parte da produção do PIM é destinada ao mercado interno. No entanto, empresas inseridas em cadeias globais de fornecimento ou com relações comerciais com os Estados Unidos poderão sofrer impactos indiretos, seja pelo aumento no custo de insumos, por mudanças nos fluxos comerciais ou por alterações nas estratégias de investimento.

A Suframa informou que continuará monitorando o cenário em conjunto com o setor produtivo e órgãos do Governo Federal, com o objetivo de avaliar eventuais impactos sobre a competitividade da Zona Franca de Manaus e subsidiar medidas voltadas à preservação do ambiente de negócios e do desenvolvimento regional.