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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Unesco alerta: IA pode reduzir receitas da indústria musical em até 24%

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) projeta quedas significativas nas receitas de criadores de música e audiovisual até 2028. A principal causa apontada é o aumento da produção de conteúdo por inteligência artificial (IA).

Impacto da IA nas receitas criativas

O levantamento, que consultou dados de mais de 120 países, estima que a expansão de conteúdos gerados por IA pode levar a perdas globais de receita de até 24% para a indústria musical e 21% para o setor audiovisual até 2028. Além disso, a IA representa uma ameaça à liberdade artística e pode afetar o financiamento público para as artes.

Mudanças estruturais e precariedade

As receitas digitais já representam 35% do faturamento dos criadores, um aumento considerável em relação aos 17% registrados em 2018, indicando uma mudança estrutural no modelo econômico do setor. Esse crescimento, no entanto, vem acompanhado de maior precariedade e maior exposição a violações de propriedade intelectual.

Diferenças e desigualdades globais

A Unesco também destacou a disparidade entre os compromissos gerais e as ações concretas dos países em relação às indústrias culturais e criativas. Embora 85% dos países incluam essas indústrias em seus planos nacionais de desenvolvimento, apenas 56% definem objetivos culturais específicos. O comércio global de bens culturais atingiu US$ 254 bilhões em 2023, com 46% das exportações originadas em países em desenvolvimento. Contudo, esses países representam pouco mais de 20% do comércio global de serviços culturais, evidenciando um desequilíbrio crescente com a digitalização.

O financiamento público direto para a cultura permanece baixo, abaixo de 0,6% do PIB global, e com tendência de queda. A transformação digital, ao mesmo tempo que aumenta o acesso a ferramentas e audiências, também intensifica desigualdades. A divisão Norte-Sul é reforçada pela diferença nas competências digitais: 67% da população em países desenvolvidos as possuem, contra apenas 28% em países em desenvolvimento.

Concentração de mercado e mobilidade artística

O relatório aponta ainda para a concentração de mercado em poucas plataformas de streaming e a pouca relevância de sistemas de curadoria, dificultando a visibilidade de criadores menos conhecidos. A Unesco também ressalta os obstáculos à mobilidade artística internacional: 96% dos países desenvolvidos apoiam a mobilidade para o exterior, mas apenas 38% facilitam a entrada de artistas de países em desenvolvimento.

Igualdade de gênero

Em relação à igualdade de gênero, o relatório aponta avanços e disparidades. A liderança feminina em instituições culturais nacionais aumentou globalmente de 31% (2017) para 46% (2024). Contudo, a distribuição geográfica revela desigualdades: 64% dos cargos de liderança em países desenvolvidos são ocupados por mulheres, enquanto nos países em desenvolvimento esse número cai para 30%.

O documento é a quarta parte da série que supervisiona a implementação da Convenção da Unesco de 2005. Com apoio do governo da Suécia, o relatório busca reforçar o papel das indústrias culturais e criativas no desenvolvimento sustentável.

Com Informações da Agência Brasil