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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Ministro da Fazenda critica sanções dos Estados Unidos contra o PCC

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, criticou na quarta-feira (1º) a decisão dos Estados Unidos de sancionar dois cidadãos e três empresas brasileiras por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Durigan afirmou que o combate ao crime organizado deve ser conduzido por instituições nacionais, e não por ações externas unilaterais, e alertou para possíveis impactos econômicos no sistema financeiro e em meios de pagamento utilizados no Brasil, como o Pix.

“Quem tem que cuidar de segurança pública no Brasil são os brasileiros. É a polícia brasileira, são os investigadores brasileiros, é o Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras], a Receita Federal. São as nossas instituições que têm que agir. E defendo, com rigor, fazer o combate ao crime organizado”, afirmou o secretário-executivo.

Risco a empresas legais e soberania nacional

Durigan ressaltou que a principal preocupação do governo é uma possível interferência externa em decisões que afetem a economia do país, o que desafiaria a soberania nacional. Ele também destacou o risco de que companhias que atuam de forma totalmente legal no mercado brasileiro acabem sendo prejudicadas por tabela pelas sanções americanas.

“E se eles, a pretexto de quererem combater o Comando Vermelho e o PCC, atingirem uma empresa legal? Esse é o problema. O cidadão não sabe como recorrer”, alertou.

O número dois da Fazenda defendeu que a cooperação internacional no combate ao crime organizado se restrinja ao compartilhamento de inteligência. “O que os Estados Unidos podem fazer para nos ajudar? Eles podem nos mandar informação, como a gente manda para eles. Se vocês têm informação, se vocês querem contribuir com a nossa repressão ao crime organizado, nos ajudem”, frisou.

As sanções dos EUA

Na quarta-feira (1º), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra dois cidadãos e três empresas brasileiras por supostos vínculos com o PCC. A facção criminosa é definida por Washington como a maior organização criminosa do Ocidente e uma ameaça à segurança nacional norte-americana.

Os alvos principais são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Segundo a pasta americana, a dupla operava como um elo fundamental entre membros do PCC baseados na Flórida e traficantes de drogas estrangeiros. Shimada é acusado de lavar mais de US$ 30 milhões obtidos de forma ilícita, utilizando criptomoedas para transferir os recursos para o Brasil.

As sanções também atingiram as empresas Victory Trading, Pixwave e Wave Construções, sediadas em São Paulo, além da Avenidas Flutuantes, localizada em Lisboa (Portugal). Todas elas fariam parte do esquema de lavagem de dinheiro operado por Shimada.

Com as sanções, todos os bens e ativos dos envolvidos que estejam em território norte-americano ou sob a posse de cidadãos dos Estados Unidos ficam imediatamente bloqueados.