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domingo, 26 de julho de 2026

ONG critica absolvição de PMs e diz que vítima de 13 anos foi transformada em réu

A Anistia Internacional criticou veementemente o julgamento que absolveu os policiais militares envolvidos na morte de Thiago Menezes, de 13 anos, no Rio de Janeiro. A organização de direitos humanos afirmou que o caso é um retrato da realidade que atinge de forma desproporcional jovens negros no Brasil, em um contexto de políticas de segurança pública marcadas por “práticas violentas e racistas”.

Jovem morto pelas costas

Thiago Menezes foi atingido por disparos de fuzil enquanto estava na garupa de uma moto, em uma via de acesso à comunidade Cidade de Deus. O piloto da moto, Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, sobreviveu e testemunhou no julgamento, afirmando que ambos não estavam armados e não tinham relação com o tráfico. Os policiais, que estavam em um carro descaracterizado, teriam saído do veículo atirando. Thiago, que sonhava em ser jogador de futebol e tinha excelente frequência escolar, foi atingido pelas costas.

Família e ativistas denunciam racismo e criminalização

A tia da vítima, Ana Cláudia Oliveira, expressou indignação com a decisão, apontando racismo no judiciário. “Mais uma vez saímos com certeza de que a Justiça não é feita para a gente”, declarou. Guilherme Pimentel Braga, coordenador da Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência de Estado (Raave), avaliou que o julgamento foi marcado pela difamação e criminalização dos adolescentes de favela para justificar o crime. Ele denunciou o uso de “fake news” e apoio de influenciadores para “queimar” a imagem de Thiago e inverter o julgamento.

Histórico de impunidade e casos semelhantes

A ativista Mônica Cunha, do Movimento Moleque, alertou para o fato de que policiais acusados de matar jovens em favelas frequentemente possuem fichas criminais extensas, citando o caso da menina Ágatha Félix, de 8 anos, morta por um tiro de fuzil em 2019, cujo policial acusado também foi absolvido. O julgamento de Thiago foi tenso e durou dois dias, com debates acalorados. Os policiais admitiram ter disparado, mas alegaram ter agido em legítima defesa, versão contestada pela acusação. Eles também respondem a outro processo por fraude processual.

Com informações da Agência Brasil