Wilson Reis, presidente do Sinjor-AM, enfrenta reprovação de contas e busca reverter decisão em ato irregular

O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Amazonas (Sinjor-AM), Wilson Carlos Braga Reis, teve a prestação de contas de 2023 reprovada em assembleia-geral realizada no dia 29 de abril, com 11 votos contrários e sete favoráveis. Agora, ele tenta reverter a decisão de maneira considerada ilegal. A reprovação das contas o torna inelegível para a próxima eleição do sindicato em 2026. Wilson Reis ocupa o cargo de presidente há mais de dez anos.

Em reunião com a diretoria executiva do Sinjor-AM, onde detém a maioria, Reis anulou a assembleia anterior e convocou uma nova para esta terça-feira, 4 de junho, às 19h. Essa convocação foi feita sem a publicação da ata da assembleia anterior, sem registro da ata da reunião executiva em cartório e fora do prazo legal para o julgamento da prestação de contas de 2023, que era até o dia 30 de abril de 2024, conforme o artigo 67 do Estatuto do Sinjor-AM.

No documento de convocação do dia 29 de abril, Reis omitiu que todos os jornalistas sindicalizados precisavam estar com a anuidade de 2024 em dia. Os jornalistas que votaram estavam com menos de um ano da anuidade de 2023 paga e não receberam notificações sobre o atraso do pagamento do ano corrente. Na nova convocatória, Reis informou que os sindicalizados aptos a votar precisavam estar “quites com as obrigações estatutárias” sem fornecer detalhes específicos.

As contas de 2023 foram reprovadas devido a ilegalidades no balanço patrimonial do sindicato, incluindo doações não contabilizadas, falta de documentos fiscais, notas fiscais com rasuras e apagadas, além de débitos sem identificação no extrato bancário. Em 2023, o sindicato movimentou mais de R$ 157 mil, a maioria oriunda de verba pública.

Paula Litaiff, vice-presidente do Sinjor-AM, se disponibilizou a contribuir para a captação de recursos destinados à reforma da sede do sindicato e à realização de projetos de empreendedorismo para jornalistas. Eleita em dezembro do ano passado para o período de 2023–2026, Paula aceitou formar chapa com Reis mediante a promessa de uma gestão conjunta e transparente.

Antes de iniciar a captação de receitas, Paula solicitou acesso aos documentos fiscais do sindicato, mas foi negado verbalmente e por documentos extrajudiciais nos dias 26 de fevereiro e 10 de abril de 2024. No dia da reprovação das contas de Reis, a contadora do Sinjor-AM, Rosana Valério, apresentou o Balanço Patrimonial e Financeiro e admitiu irregularidades, como a não contabilização de doações em 2023. A declaração foi questionada pelos jornalistas presentes na assembleia-geral, que decidiram reprovar as contas.

Em um ato considerado ilegal, Wilson Reis pretende anular a decisão da assembleia-geral de 29 de abril – considerada soberana pelo Estatuto do Sinjor-AM – em uma nova assembleia a ser realizada hoje, terça-feira, às 19h, na sede do sindicato, localizada na Praça Santos Dumont, 15, no Centro da cidade.

Votação das Contas

No dia 29 de abril de 2024, os profissionais sindicalizados do SINJOR-AM foram convocados por meio de Edital publicado no site oficial do sindicato no dia 5 de abril de 2024. A Assembleia Geral ocorreu virtualmente pela plataforma Google Meet, com a primeira convocação às 19h e a segunda às 19h30, horário de Manaus/AM, para deliberar sobre a prestação de contas do exercício de 2023.

Às 19h16, a Assembleia iniciou sob a presidência de Wilson Carlos Braga Reis, com a presença registrada de 19 jornalistas votantes, além do presidente do SINJOR-AM e da contadora responsável pelo balanço, Rosana Valério. A reunião foi presidida por Wilson Reis e secretariada pela vice-presidente do SINJOR-AM, Paula Litaiff.

A reunião foi dividida em três etapas: a apresentação do Balanço Patrimonial e Financeiro de 2023, a proposta de alteração da data de votação da prestação de contas e a votação propriamente dita.

Na primeira fase, o presidente Wilson Reis concedeu a palavra à contadora Rosana Valério, que apresentou os números da receita e das despesas registradas durante o ano de 2023, totalizando R$ 157 mil. O balanço teve parecer favorável do tesoureiro André Nogueira Moreira, do vice-tesoureiro David Carlos de Almeida e do conselheiro fiscal Anwar Assi.

Durante a apresentação, os jornalistas Audrey Bezerra, Gabriel Abreu e Islânia Lima questionaram a transparência nos pagamentos de funcionários, custos de manutenção predial e a disponibilidade dos documentos. A contadora afirmou que o balanço poderia ser disponibilizado na sede do sindicato.

A vice-presidente Paula Litaiff informou que havia solicitado documentos sobre despesas e receitas em fevereiro e abril de 2024, sem resposta. Wilson Reis negou ter recebido os protocolos, mas a vice-presidente apresentou documentos comprovando os pedidos. Jornalistas presentes corroboraram que Reis tinha ciência dos pedidos de documentação.

Na segunda fase, Wilson Reis propôs adiar a votação para o dia 30 de abril de 2024, último dia do prazo regimental, para que os documentos pudessem ser verificados. A proposta foi votada e rejeitada por 12 votos contra seis, com uma abstenção.

Com a votação mantida para o dia 29 de abril, a terceira fase da assembleia foi a votação da prestação de contas. Paula Litaiff e outros jornalistas reiteraram a falta de transparência na documentação. A votação resultou na desaprovação das contas de 2023 por 11 votos contra sete, com uma abstenção.

A Assembleia Geral foi encerrada com a conclusão pela desaprovação do Balanço Patrimonial e Financeiro do SINJOR-AM de 2023, conforme a maioria dos jornalistas presentes. Esta ata foi assinada por mim, Maria Paula Litaiff Gonçalves, e pelo presidente Wilson Reis.

Veja a ata de votação detalhada:

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