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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Alertas de desmatamento caem 35% na Amazônia e 6% no Cerrado, aponta Inpe

As áreas sob alerta de desmatamento apresentaram uma queda significativa na Amazônia Legal e no Cerrado entre agosto de 2025 e janeiro deste ano. Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Quedas expressivas nos biomas

Na Amazônia, os alertas somaram 1.324 km², o que representa uma redução de 35% em comparação ao período anterior (2.050 km²). Já no Cerrado, os alertas totalizaram 1.905 km², uma diminuição de 6% frente aos 2.025 km² registrados anteriormente.

Os números foram divulgados após a 6ª reunião ordinária da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Combate ao Desmatamento. O colegiado, reativado em 2023, reúne 19 ministérios sob a presidência da Casa Civil.

Degradação florestal em queda

Os indicadores de degradação florestal na Amazônia apontam um recuo impressionante de 44.555 km² para 2.923 km², o que configura uma diminuição de 93%.

O Deter funciona como um sistema de alertas diários para apoiar as ações de fiscalização ambiental. Ele se diferencia do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), também do Inpe, que calcula a taxa anual consolidada de desmatamento.

De acordo com o Prodes, entre 2022 e 2025, o desmatamento acumulou uma queda de 50% na Amazônia e de 32,3% no Cerrado.

Expectativa de menor taxa histórica

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, expressou otimismo: “Há uma expectativa de chegarmos em 2026 à menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia se continuarmos com esses esforços”.

Ela destacou que os resultados refletem políticas públicas embasadas em dados científicos e ressaltou que o desempenho ambiental não prejudicou o crescimento econômico. “O desmatamento caiu e o agronegócio continua crescendo, abrimos 500 novos mercados para a agricultura brasileira, fechamos o acordo com da União Europeia com o Mercosul numa demonstração de que políticas públicas consistentes, bem desenhadas e implementadas dão bons resultados”, afirmou.

Pantanal em contramão

A situação é diferente no Pantanal, bioma onde os alertas de desmatamento cresceram 45,5% entre agosto de 2025 e janeiro deste ano, passando de 202 km² para 294 km². Apesar dessa alta recente, na comparação entre 2023 e 2024 houve uma queda de 65,2%.

Fortalecimento da fiscalização

O Ministério do Meio Ambiente aponta o fortalecimento das ações de controle como um dos principais fatores para a redução dos alertas. A pasta informa que, em comparação com 2022, as ações de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) aumentaram 59%.

As operações do ICMBio cresceram 24%, áreas embargadas subiram 51% (Ibama) e 44% (ICMBio). O número de operações de fiscalização ambiental na Amazônia avançou quase 148%, e as ocorrências registradas passaram de 932 para 1.754. Houve também um aumento relevante nas apreensões de minérios (170%) e de madeira (65%).

Ciência como ferramenta

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, enfatizou o papel do monitoramento científico. “Toda a nossa cadeia de infraestrutura tecnológica nos dá a precisão necessária para subsidiar as políticas públicas de forma assertiva, provando que não há preservação sem investimento em conhecimento. Estamos mostrando ao mundo que o Brasil não apenas monitora seus biomas, mas utiliza a ciência como ferramenta de cuidado e soberania”, declarou.

Com informações da Agência Brasil