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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Estudo revela aumento da toxicidade de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Toxicidade de agrotóxicos em alta globalmente

Um estudo recente publicado na revista Science indica que a toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo entre 2013 e 2019. A pesquisa, conduzida por pesquisadores alemães da universidade de Kaiserslautern-Landau, avaliou 625 pesticidas em 201 países, utilizando o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT). A conclusão contraria a meta de redução de riscos de pesticidas estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15).

Impactos na biodiversidade

O aumento da toxicidade afeta negativamente seis de oito grupos de espécies. Artrópodes terrestres, organismos do solo, peixes, invertebrados aquáticos, polinizadores e plantas terrestres apresentaram aumentos anuais significativos em sua vulnerabilidade. Apenas plantas aquáticas e vertebrados terrestres (incluindo humanos) registraram uma leve diminuição no TAT.

Brasil em destaque no cenário global

O Brasil figura entre os países com maior intensidade de toxicidade por área agrícola, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia. O país, juntamente com China, Estados Unidos e Índia, é responsável por uma parcela considerável da toxicidade total aplicada globalmente. O agronegócio brasileiro, especialmente culturas extensivas como soja, algodão e milho, contribui significativamente para esse cenário.

Concentração do problema e tipos de pesticidas

O estudo aponta que o problema é concentrado: em média, apenas 20 pesticidas são responsáveis por mais de 90% da toxicidade total em cada país. Inseticidas como piretroides e organofosforados, e neonicotinoides, são apontados como os principais contribuintes para a toxicidade em diversos grupos de organismos. Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, também são mencionados por seus riscos ambientais e à saúde humana.

Meta da ONU distante para a maioria dos países

A trajetória avaliada em 65 países sugere que, sem mudanças estruturais, apenas o Chile atingirá a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade dos pesticidas até 2030. Enquanto China, Japão e Venezuela apresentam tendências de queda, necessitam de aceleração. Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se distanciando da meta. A maioria dos países, incluindo o Brasil, precisaria reverter padrões de uso consolidados há décadas.

Propostas para conter a escalada de riscos

Os pesquisadores propõem três frentes principais para combater o aumento dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas, como controle biológico e manejo mais preciso. Essas estratégias são vistas como capazes de reduzir impactos sem comprometer a produtividade agrícola.

Com Informações da Agência Brasil