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terça-feira, 21 de julho de 2026

Mata Atlântica: projeto baiano acelera restauração e cria florestas mais resilientes

Uma iniciativa de restauração da área florestal da Mata Atlântica, na Bahia, apresentou resultados eficientes ao reduzir o tempo de crescimento das espécies em até 50% e recriando florestas produtivas mais resilientes às mudanças climáticas. O trabalho, que teve início em 2014, foca na coleta e mapeamento de indivíduos com maior potencial de conservação.

Recuperação e Seleção Genética

A Empresa Brasileira de Reflorestamento, por meio da Symbiosis, recuperou 1 mil hectares do bioma através da seleção genética de 45 espécies nativas. Exemplares como jacarandá, jequitibá, ipês e angicos foram escolhidos pela sua capacidade de adaptação.

“Muitas dessas matrizes são centenárias, sobreviveram ao processo histórico de exploração da Mata Atlântica e carregam uma genética extremamente adaptada”, explica Mickael Mello, gerente do viveiro de mudas da Symbiosis.

A estruturação das novas florestas visa garantir variabilidade genética e reduzir riscos de homogeneização. “Indivíduos com diferentes comportamentos e níveis de adaptação são essenciais para a recomposição da diversidade”, afirma Laura Guimarães, supervisora de melhoramento genético da Symbiosis.

Impactos da Fragmentação

A Mata Atlântica, que originalmente cobria cerca de 130 milhões de hectares, hoje possui apenas 24% de sua cobertura verde original. Desses, apenas 12,4% são florestas maduras e bem preservadas.

“Essa fragmentação reduz o número de indivíduos, compromete a variabilidade genética e enfraquece a capacidade adaptativa das espécies”, alerta Rafael Bitante Fernandes, gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.

A perda de diversidade impacta diretamente os serviços ecossistêmicos essenciais para a vida humana, como a disponibilidade de água e a qualidade do ar, além de agravar eventos climáticos extremos.

Restauração como Oportunidade de Negócio

A pressão gerada pelo declínio da Mata Atlântica e os riscos econômicos associados têm levado empresas privadas a verem a restauração florestal como um investimento. “Existem hoje modelos de restauração florestal que contemplam um bom manejo dessa floresta”, comenta Fernandes.

Esses modelos permitem a exploração sustentável de produtos madeireiros e não madeireiros, como óleos e essências, ao mesmo tempo em que o sequestro de carbono é mantido.

Empresas geradoras de energia elétrica, por exemplo, investem na proteção de mananciais que abastecem hidrelétricas, garantindo a longevidade de seus negócios e reduzindo riscos em períodos de escassez hídrica.

Pacto pela Restauração e Desafios Futuros

O movimento de restauração culminou no Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, estabelecido em 2009, com a meta de recuperar 15 milhões de hectares até 2050.

“Restauração florestal é quando ela é intencional. Então a gente foi lá, criou um projeto, ainda que você vá apenas induzir a natureza para que aquela floresta volte sozinha”, explica Fernandes.

Um estudo da SOS Mata Atlântica identificou que, entre 1993 e 2022, 4,9 milhões de hectares entraram em processo de regeneração, mas 1,1 milhão foram desmatados no mesmo período.

A Mata Atlântica tem sido reconhecida internacionalmente como um modelo de restauração ambiental, figurando entre os dez exemplos a serem adotados globalmente.

Avanços e Necessidades

Apesar dos avanços, a meta de 15 milhões de hectares para 2050 exige um esforço contínuo, especialmente porque 90% do território da Mata Atlântica são áreas privadas.

“A gente precisa agora dar um salto em escala com boas políticas públicas que estimulem a restauração florestal. Então, precisamos de pagamentos por serviços ambientais, comando e controle que determine algumas áreas obrigatórias preservadas e uma política de incentivos massiva”, defende Fernandes.

O gerente ressalta o potencial de geração de empregos: “Se a gente for olhar a grosso modo aquela restauração só para conservar a biodiversidade e resgatar os serviços ecossistêmicos. A gente tem um potencial de gerar a cada dois campos de futebol um emprego.”

Com Informações da Agência Brasil