
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga crimes cibernéticos questionou a Meta, empresa dona do Facebook e Instagram, sobre sua suposta obtenção de lucros com atividades criminosas em suas plataformas. A diretora de política econômica para América Latina da Meta, Yara Alves, foi chamada para prestar esclarecimentos.
Documentos internos e regulação
O senador Alessandro Vieira apresentou à diretora uma notícia da agência Reuters, de dezembro de 2025, que sugere que documentos internos da Meta orientam gestores a evitar a regulação estatal que busca coibir anúncios de golpes na internet. Yara Alves negou ter conhecimento de tais documentos.
“Trabalho com esse tema dentro da empresa há mais de dois anos e meio, nunca vi nenhum documento, e não me lembro de ter visto nenhum documento que trouxesse esse tipo de interesse ou de abordagem”, afirmou a diretora.
Exploração sexual de crianças e adolescentes
A CPI também buscou entender a capacidade da Meta em detectar e impedir a divulgação de imagens de abuso sexual de crianças e adolescentes. O senador citou um relatório da ONG Human Trafficking Institute de 2020, que apontou o Facebook como a plataforma mais utilizada por traficantes sexuais para aliciar e recrutar crianças.
Yara Alves não soube responder com precisão se as ferramentas da empresa são suficientes para impedir a transferência de fotos de pornografia infantil. Ela colocou a equipe da Meta à disposição da Comissão para detalhar as ações em andamento.
A chefe da Meta ressaltou, contudo, que o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes é uma prioridade, com equipes dedicadas e medidas de controle parental para contas de adolescentes.
Perguntas sem respostas e nova convocação
A diretora da Meta também não conseguiu responder a questionamentos sobre limites da criptografia e o uso de algoritmos para favorecer conteúdos políticos. Diante da falta de respostas, o relator da CPI solicitou a nova convocação do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister.
“Novamente, em benefício desse princípio de boa-fé, que é tão bom nas relações, vamos entender que foi um erro de avaliação e vamos reiterar a convocação do diretor-geral”, declarou o relator.
Com Informações da Agência Brasil


