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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Estados Unidos iniciam audiências sobre tarifa de 25% contra produtos brasileiros

Os Estados Unidos iniciaram nesta segunda-feira (6) uma série de audiências públicas que podem definir a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

A proposta foi apresentada em junho pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais e prejudiciais ao comércio americano.

Os dois dias de audiência reúnem representantes da indústria, do agronegócio, do comércio e da política dos dois países, que apresentarão argumentos favoráveis e contrários à medida. Na terça-feira (7), a partir das 10h (horário local), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá a palavra.

Também estão previstos depoimentos do ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo — representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) —, além de porta-vozes da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Argumentos do governo brasileiro

Em 1º de julho, o governo brasileiro apresentou ao USTR uma manifestação oficial em resposta à investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. No documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil rebate os argumentos usados para justificar a tarifa e afirma que a cobrança seria inadequada e desconectada do objetivo declarado pelo governo americano.

O governo contesta a avaliação de que políticas brasileiras sobre comércio digital, meios eletrônicos de pagamento e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) prejudiquem empresas americanas, e sustenta que não há fundamento para a adoção de sanções comerciais contra o país.

Posicionamento de Flávio Bolsonaro

Na quinta-feira (2), Flávio Bolsonaro encaminhou ao USTR uma manifestação pedindo que os Estados Unidos suspendam a aplicação da tarifa até as eleições presidenciais de outubro. Segundo o senador, manter a cobrança neste momento beneficiaria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu provável adversário na disputa pelo Planalto.

“As tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que tem adotado: obstruir negociações sérias, provocar retaliações e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna”, escreveu o senador no documento.

Reação de Lula

A carta de Flávio Bolsonaro provocou reação do presidente Lula, que criticou o senador e o chamou de “traidor da pátria”. Segundo o presidente, o parlamentar atua contra os interesses do Brasil ao sugerir que os Estados Unidos usem o calendário eleitoral para gerir a aplicação da tarifa.