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terça-feira, 9 de junho de 2026

Vacina contra a dengue suspensa pelo Ministério da Saúde foi aplicada em 500 mil pessoas

Entre janeiro e maio deste ano, 501 mil brasileiros receberam o imunizante Butantan-DV contra a dengue, cuja aplicação foi suspensa temporariamente nesta segunda-feira (8) pelo Ministério da Saúde após o registro de casos graves entre pessoas vacinadas.

A maior parte das doses foi destinada a profissionais da atenção primária à saúde, que receberam 417,4 mil aplicações, o equivalente a 83% do total. Outras 83,6 mil doses foram usadas em programas de vacinação ampliada em Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região de Araguaína (TO).

Dados do governo federal apontam que 3.703 vacinados apresentaram sintomas compatíveis com dengue após receber o imunizante, como febre alta, dores no corpo, manchas na pele, náuseas e cansaço. O número corresponde a 0,7% do total de pessoas vacinadas.

Também foram registrados 42 casos considerados graves, com sintomas como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos. Três pacientes precisaram ser internados em unidades de terapia intensiva. Dois deles morreram.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que os episódios ainda serão investigados e que não há comprovação de ligação entre a vacina e os óbitos. Mesmo assim, o governo decidiu interromper temporariamente a aplicação do imunizante.

– As reações foram absolutamente inesperadas – afirmou Padilha, ao destacar que os eventos não haviam sido identificados durante os estudos clínicos nem nas fases 2 e 3 dos testes que antecederam a aprovação da vacina pela Anvisa.

O ministério informou que a vacina suspensa foi produzida pelo Instituto Butantan e não tem relação com os lotes contratados junto à empresa chinesa WuXi Vaccines para ampliar a produção nacional.

A orientação para quem recebeu a vacina nos últimos 21 dias é observar o surgimento de sintomas associados à dengue e procurar atendimento médico em caso de agravamento.

A Butantan-DV, aplicada em dose única, foi aprovada pela Anvisa em novembro do ano passado, após a análise de dados de acompanhamento de cerca de 16 mil voluntários.

CASOS GRAVES
Segundo o Ministério da Saúde, os três casos mais graves ocorreram entre março e abril.

Uma mulher de 39 anos apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. O quadro evoluiu para sintomas compatíveis com dengue grave, incluindo choque, e ela precisou ser internada em UTI. Após tratamento, recebeu alta hospitalar.

Outra paciente, de 48 anos, desenvolveu sintomas de dengue grave que evoluíram para meningoencefalite 19 dias após a imunização. Ela morreu.

O terceiro caso envolveu um homem de 58 anos, que apresentou febre cinco dias depois de receber a vacina. O quadro avançou para dengue grave com choque refratário, resultando em morte.