segunda-feira, 28, setembro, 2020
Temor em fim de direitos aumenta casamentos homoafetivos

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Do O Bom da notícia

Temor aos posicionamentos ideológicos do presidente Jair Bolsonaro, que já disse em entrevistas que é “homofóbico, com muito orgulho” e que preferia ter um filho morto a um filho homossexual, entre outras declarações homofóbicas recorrentes em sua trajetória, causaram um elevado aumento na realização dos casamentos homoafetivos no Brasil no ano de 2018, antes ainda de ele assumir o comando do Palácio do Planalto, no início de 2019.

A análise de especialistas, à decisão de casais LGBT’s (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) de anteciparem o matrimônio, por conta do temor à possível criação de medidas contrárias a seus direitos civis, sob o comando de Bolsonaro até o ano de 2022, estão refletidos nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgadas agora em dezembro. Apontando que no ano passado houve um registro de 9.520 casais que oficializaram juridicamente suas relações, revelando um aumento de 61,7% em apenas um ano, se comparado com os casamentos ocorridos em 2017,  quando o número foi de 5.887 casais registrados. 

A analista do IBGE e gerente da pesquisa, Klívia Brayner de Oliveira, relatou que o aumento foi tão expressivo que teria obrigados os especialistas a conferirem novamente o número. “Em 2018, houve um aumento muito grande em relação ao ano anterior”, diz. 

Ainda de acordo com a gerente da pesquisa, somente este ‘medo de um retrocesso nos direitos civis dos homossexuais’, poderia explicar a elevação na procura da estabilização dos casais sob o ponto de vista da lei. “Sempre que tem uma lei nova, este novo evento, claro, se reflete no ano seguinte nas estatísticas”, ressaltou. 

O vice-presidente do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual (CMADS) acredita que se houver uma recomposição do Supremo Tribunal de Justiça (STF), a questão poderá ser rediscutida e haver inclusive, uma nova votação. “Um governo que retira o termo gênero de todos os documentos oficiais, que nega a importância de se dialogar sobre democracia nos espaços públicos, e que se coloca publicamente contra direitos e assume uma pauta conservadora, sob a égide de um discurso de respeito a um modelo de família aceitável, obviamente, que causa preocupação”, pontua. 

Em junho deste ano, doze casais LGBTI’s oficializaram o casamento na 1º edição do casamento comunitário para casais. A cerimônia Ecumênica foi promovida pelo Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual (CMADS), em Cuiabá. 

Também está contido no levantamento feito pelo IBGE, a aelevação no número de mulheres do mesmo sexo que consolidaram suas relações afetivas, em torn o de 64,2%. os casamentos entre homens homossexuais, o crescimento foi um pouco menor, com 58,3%. 

Depois de 28 anos vivendo e construindo uma vida juntas, Claudete Jaudy e Lu Mello decidiram fortalecer a união no casamento comunitário para casais LGBTI’s. O casal enxergou o casamento como uma oportunidade de assegurar o patrimônio. Claudete disse ainda que se sentiu amedrontada com a suposta ameaça. “Não sabemos o que se passa na mente do presidente, o correto foi nos prevenir”, diz.

Prova disto, que os casamentos heterossexuais reduziram, pois as pessoas estão casando menos e adiando cada vez mais a data do matrimônio. No ano passado, foram registrados, no Brasil, 1.053.467 casamentos, o que representa uma redução de 1,6% em relação ao ano anterior. 

A analista do IBGE ressalta, entretanto, sobre a necessidade de pontuar que esses números fortalecem, igualmente, a questão da transição demográfica. “A primeira transição demográfica ocorreu lá atrás, com a queda da mortalidade infantil e, depois, do número de filhos; agora, a gente vive uma outra transição, em que as pessoas estão adiando a decisão de casar e o momento de ter filhos, uma tendência já concretizada na Europa”, destaca Klívia.

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