Veja quem são os mortos do tumulto em baile funk

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Do G1

Famílias começaram a reconhecer neste domingo (1º) os corpos das nove vítimas que morreram na madrugada em uma confusão durante um baile funk na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, o tumulto ocorreu durante uma perseguição policial.

Saiba quem são as vítimas:

Marcos Paulo Oliveira dos Santos, de 16 anos

A primeira vítima a ser reconhecida foi Marcos Paulo Oliveira dos Santos. Ele tinha 16 anos, era estudante e morava no Jaraguá, Zona Norte de São Paulo. De acordo com a família, foi a primeira vez que Marcos foi ao baile funk de Paraisópolis. A família não sabia que ele tinha ido ao baile. Ele disse para a avó que ia comer uma pizza com os amigos.

A família fez o reconhecimento do corpo na tarde deste domingo no Instituto Médico Legal (IML) Zona Sul.

Dennys Guilherme dos Santos Franca, de 16 anos

O adolescente Dennys Guilherme dos Santos Franca havia feito um post em uma rede social afirmando que estava no baile funk.

“Hoje eu tô inspirado, vou mandar o magrão de esquina a esquina e dar um tapa na cabeça da sua vó, não quero saber de nada, meninas hj o pai vai tá online, vou surfar mais que o Medina”, postou.

Denys Henrique Quirino da Silva, de 16 anos

Gustavo Cruz Xavier, de 14 anos

Gustavo Cruz Xavier tinha 14 anos de idade. A família dele passou o domingo procurando pelo rapaz. Na noite de domingo, o corpo dele foi reconhecido por familiares.

Gabriel Rogério de Moraes, de 20 anos

Mateus dos Santos Costa, de 23 anos

Baiano, Mateus dos Santos Costa se mudou para São Paulo há 15 anos. Ele era solteiro e morava sozinho em Carapicuíba, na Grande São Paulo, perto da casa do irmão, com quem trabalhava vendendo produtos de limpeza. Mateus costumava frequentar baile funk em Paraisópolis. Os pais e outros dez irmãos dele ainda moram na Bahia.

  • Bruno Gabriel dos Santos, de 22 anos
  • Eduardo Silva, de 21 anos
  • Luara Victoria de Oliveira, de 18 anos

Nesta madrugada, segundo informações do Hora 1, quatro corpos que foram levados para o IML Central foram liberados, mas dois ainda permaneciam lá. Os demais corpos foram para o IML Sul.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, 12 pessoas foram hospitalizadas após o tumulto. Na noite deste domingo (1°), uma mulher continuava internada.

A confusão

Paraisópolis é a segunda maior comunidade da cidade, com 100 mil habitantes. De acordo com a polícia, agentes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) realizavam a Operação Pancadão quando foram alvo de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta.

A dupla teria fugido em direção ao baile funk ainda atirando, o que provocou tumulto entre os frequentadores do evento, que tinha cerca de 5 mil pessoas.

No entanto, a mãe de uma adolescente de 17 anos que estava no local e que foi agredida com uma garrafa disse que os policiais fizeram uma emboscada para as pessoas que estavam no baile.

A jovem ferida durante a confusão descreveu o momento em que foi atingida. “Eu não sei o que aconteceu, só vi correria, e várias viaturas fecharam a gente. Minha amiga caiu, e eu abaixei pra ajudá-la”, afirmou.

“Quando me levantei, um policial me deu uma garrafada na cabeça. Os policiais falaram que era para colocar a mão na cabeça.”

‘Apuração rigorosa’

O governador João Doria (PSDB) lamentou as mortes e pediu “apuração rigorosa” do episódio. O Ouvidor das Polícias, Benedito Mariano, afirmou que “a PM precisa mudar protocolo”.

A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, afirmou em entrevista à GloboNews que a polícia tem de prestar contas do que ocorreu “sem medo de assumir um erro caso tenha havido”.

Dados de Paraisópolis

  • 2ª maior favela de São Paulo e 5ª maior do Brasil
  • 10 quilômetros quadrados de área
  • 100 mil habitantes
  • 21 mil domicílios
  • 12 mil moradores analfabetos ou semianalfabetos
  • 31% da população é composta por jovens de 15 a 29 anos, portanto mais vulneráveis à carência de emprego e oportunidades
  • 42% das famílias têm mulheres como responsáveis
  • Renda média de 87% dos chefes de família é de até 3 salários mínimos
  • 21% da população que tem emprego atua no comércio local
  • Aproximadamente 10 mil comércios locais
  • Grande crescimento nos últimos anos
  • Grandes empresas ingressando no mercado local
  • 12 escolas públicas (estaduais e municipais), uma Escola Técnica Estadual (Etec), um Centro Educacional Unificado (CEU), três unidades básicas de saúde (UBS) e uma unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA)

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