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sábado, 25 de julho de 2026

Governo intensifica combate à coqueluche na Terra Indígena Yanomami com equipe emergencial

O Ministério da Saúde enviou uma equipe emergencial para reforçar o atendimento na base polo de Surucucu, na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima. A medida, anunciada na última quarta-feira (18), é uma resposta direta ao aumento de infecções por coqueluche entre crianças na região, que já contabiliza oito casos e três óbitos.

Coqueluche e a resposta do Ministério da Saúde

A coqueluche é uma infecção respiratória bacteriana e altamente contagiosa. Os primeiros sintomas incluem crises de tosse seca. A equipe enviada pelo Ministério da Saúde chegou à região na última segunda-feira (16), acompanhada por especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, com vasta experiência em contenção de surtos e aumento de casos de doenças infecciosas.

O grupo trabalhará em conjunto com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, que já atuava em Surucucu com coletas de material e ações de prevenção em aldeias próximas. Ao todo, 50 profissionais foram mobilizados para intensificar a prevenção de novos casos e a assistência local.

Situação das crianças infectadas

As crianças infectadas com coqueluche estão recebendo tratamento em hospitais de Boa Vista, capital de Roraima. Duas delas já receberam alta e retornaram às suas aldeias. Todos os casos suspeitos continuam sob investigação e acompanhamento rigoroso.

Vacinação como principal ferramenta de prevenção

A vacinação é o método mais eficaz para prevenir a coqueluche. No Brasil, a vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS para crianças de até 7 anos e gestantes, em todas as Unidades Básicas de Saúde.

De acordo com o Dsei Yanomami, o índice de crianças com esquema vacinal completo contra a doença, com menos de 1 ano de idade, quase dobrou entre 2022 e 2025, saltando de 29,8% para 57,8%. Para crianças menores de 5 anos, o índice evoluiu de aproximadamente 52% para 73% no mesmo período.

Contexto: Crise sanitária na TI Yanomami

Em 2023, o Governo Federal declarou estado de emergência na Terra Indígena Yanomami, devido aos altos índices de desnutrição, malária e mortes por diversas causas, em grande parte decorrentes do garimpo ilegal.

Desde então, foram implementadas ações multiministeriais envolvendo Saúde, Defesa e Povos Indígenas para estruturar os serviços de saúde pública e segurança. Medidas como o fechamento de garimpos ilegais, destinação de recursos para controle aéreo e ações de despoluição de rios foram adotadas, além da oferta de tratamento de água potável e construção de unidades de saúde especializadas.

O Dsei Yanomami, que contava com 690 profissionais em 2023, expandiu sua força de trabalho com a contratação de mais 1.165 profissionais, um aumento de 169%. Dados do Ministério da Saúde de 2025 indicam uma queda de 27,6% na mortalidade na região desde a decretação do estado de emergência. Contudo, lideranças indígenas ressaltam que os desafios persistem.

A TI Yanomami é o maior território indígena do Brasil, abrigando mais de 30 mil pessoas distribuídas em cerca de 376 comunidades.

Com Informações da Agência Brasil