30.6 C
Manaus
sexta-feira, 24 de julho de 2026

Juros para famílias e empresas sobem em janeiro, aponta Banco Central

Juros em alta para pessoas físicas e jurídicas

As taxas de juros médias para famílias e empresas apresentaram elevação em janeiro deste ano, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC). Para as pessoas físicas, a taxa média de juros atingiu 61% ao ano, com um aumento de 0,9 ponto percentual (p.p.) no mês e de 6,7 p.p. em 12 meses.

Um dos destaques é a operação de cartão de crédito parcelado, que viu sua taxa subir 6,8 p.p. no mês e 17,7 p.p. em 12 meses, alcançando 194,9% ao ano. Após 30 dias de utilização do crédito rotativo, as dívidas do cartão de crédito são parceladas pelas instituições financeiras nesta modalidade de juros.

Apesar de uma queda de 13,7 p.p. no mês e 26,3 p.p. em 12 meses, o crédito rotativo do cartão de crédito continua com os juros mais elevados do mercado, registrando 424,5% ao ano em janeiro. O crédito rotativo é acionado quando o consumidor paga menos que o valor total da fatura do cartão, contraindo um empréstimo sobre o valor não quitado.

Outras elevações e crédito direcionado

Outras operações para pessoas físicas que registraram alta em janeiro incluem crédito pessoal não consignado (1,5 p.p.), financiamento para aquisição de veículos (1,3 p.p.) e crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado (1,2 p.p.).

Para as empresas, a taxa média de juros ficou em 25,2% ao ano ao final de janeiro, com um acréscimo de 1,6 p.p. no mês e 1,1 p.p. em 12 meses. Esse desempenho foi influenciado pelo aumento sazonal nas taxas médias de desconto de duplicatas e outros recebíveis (0,9 p.p.), além de modalidades como capital de giro com prazo superior a 365 dias (1,8 p.p.), cheque especial (25,9 p.p.) e cartão rotativo (63,9 p.p.).

Essas taxas se referem ao crédito livre, onde os bancos definem as taxas de juros. Já o crédito direcionado, com regras governamentais, é destinado aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e microcrédito.

No crédito direcionado, a taxa média para pessoas físicas foi de 11,2% ao ano, estável no mês e com queda de 0,1 p.p. em 12 meses. Para empresas, os juros subiram 0,8 p.p. no mês e caíram 0,7 p.p. em 12 meses, totalizando 13% ao ano.

Juros bancários e Selic

Considerando recursos livres e direcionados, a taxa média de juros das novas contratações de crédito atingiu 32,8% ao ano para famílias e empresas em janeiro. Houve um incremento de 0,7 p.p. no mês e 2,9 p.p. em 12 meses.

A alta dos juros bancários acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros, a Selic, que está em 15% ao ano, mantida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O aumento da Selic visa controlar a inflação encarecendo o crédito e estimulando a poupança.

A taxa básica de juros está no maior nível desde julho de 2006. O spread bancário das novas contratações situou-se em 21,9 p.p., com acréscimo de 0,8 p.p. no mês e 3,5 p.p. em 12 meses.

Saldo do crédito e endividamento familiar

As concessões de crédito em janeiro totalizaram R$ 651,5 bilhões, um aumento de 1,5% em relação ao mês anterior. O estoque total de empréstimos no Sistema Financeiro Nacional (SFN) chegou a R$ 7,115 trilhões, com redução de 0,2% em janeiro e alta de 10,1% em 12 meses.

O endividamento das famílias em dezembro do ano passado foi de 49,7%, um aumento de 1,3 p.p. no ano. Sem o financiamento imobiliário, o endividamento ficou em 31,2%. O comprometimento da renda com dívidas foi de 29,2% em dezembro, com aumento de 1,7 p.p. no ano.

A inadimplência também registrou aumento, atingindo 4,2% em janeiro. No segmento empresarial, o percentual foi de 2,6%, e nas famílias, a inadimplência chegou a 5,2%.

Com Informações da Agência Brasil