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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Número de mortos por terremotos na Venezuela passa dos de 6 mil

As autoridades da Venezuela elevaram para 6.125 o número de mortos causados pelos fortes terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o país em 24 de junho. A atualização foi divulgada nesta segunda-feira (3) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, após dez dias sem a publicação de dados oficiais sobre as vítimas.

O balanço anterior, divulgado em 24 de julho, contabilizava 5.546 mortos. O estado de La Guaira, na costa caribenha, foi a região mais atingida, com pelo menos 190 edifícios completamente destruídos, segundo informações do governo venezuelano.

Desaparecidos e estragos estruturais

O governador de La Guaira, José Alejandro Terán, informou que cerca de 1.400 pessoas permanecem desaparecidas. Familiares continuam buscando parentes entre os escombros, sem qualquer informação sobre o paradeiro de seus entes queridos.

“Não sei se ela está viva, se está morta, se está em um hospital ou se continua debaixo dos escombros”, desabafou Mary Cruz Andueza, que procura pela mãe após o desabamento de uma torre residencial.

O levantamento oficial aponta que 6.433 imóveis foram classificados como de “alto risco” e outros 9.866 estão com “uso restrito”. Cerca de 24 mil pessoas seguem alojadas em abrigos temporários nas regiões de Caracas e La Guaira.

Riscos à saúde e acúmulo de escombros

Especialistas estimam que os tremores geraram mais de 1,2 milhão de toneladas de escombros, que contêm materiais tóxicos e contaminantes, como combustíveis, produtos químicos e plásticos. A remoção exige triagem criteriosa para evitar desastres ambientais decorrentes dos resíduos.

O epidemiologista Mauricio Cerpa, do Centro de Operações de Emergência da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), fez um alerta sobre a eclosão de surtos de doenças:

“Os terremotos não causam surtos por si só. O risco vem das condições precárias do cenário pós-desastre”, explicou.

Entre as principais preocupações estão infecções gastrointestinais, doenças respiratórias, afecções dermatológicas e enfermidades transmitidas por vetores, como dengue e malária. Voluntários e agentes humanitários também relatam problemas de saúde provocados pela exposição contínua à poeira das ruínas.

Desafios para a reconstrução

A falta de moradia e a superlotação dos abrigos amplificam a crise de saúde pública no país. Garantir acesso à água potável, saneamento básico e medicamentos são os maiores obstáculos enfrentados pelas equipes de resgate.

“As necessidades urgentes só tendem a aumentar a partir deste momento”, ressaltou Alycia Clark, representante da organização humanitária Direct Relief, prevendo um processo de recuperação longo e complexo para as comunidades atingidas.