
A Zona Franca de Manaus (ZFM) celebra 59 anos consolidada como uma política de Estado que direciona investimentos para o desenvolvimento regional, educação, crédito e inovação. Desde 2023, o Governo do Amazonas ampliou o alcance do modelo, gerando empregos e fomentando o empreendedorismo com a aprovação de R$ 19,94 bilhões em projetos industriais.
Recorde de investimentos e empregos no Amazonas
O Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), aprovou 840 projetos industriais entre 2023 e 2025.
Este volume total de investimentos atingiu R$ 19,94 bilhões, refletindo-se diretamente na geração de 24.618 novos postos de trabalho. A mão de obra prevista cresceu de 34.431 para 36.149 empregos, demonstrando o dinamismo econômico.
Contrapartidas sociais e econômicas da ZFM
A aprovação de projetos no Codam implica em compromissos firmados pelas empresas, que incluem geração de empregos, investimentos produtivos e aportes financeiros para fundos estratégicos.
Esses recursos, provenientes da arrecadação de ICMS e contribuições do Polo Industrial de Manaus (PIM), alimentam instrumentos essenciais para o desenvolvimento amazonense.
Entre eles estão o Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI) e o Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e ao Desenvolvimento Social do Estado do Amazonas (FMPES), administrado pela Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam).
Educação e pesquisa impulsionadas pela indústria
Universidade do Estado do Amazonas (UEA): Conhecimento financiado
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) é um exemplo claro de como a Zona Franca financia o desenvolvimento social. Em 2026, 97,7% do orçamento da UEA provém de recursos vinculados ao modelo econômico da Zona Franca.
Entre 2023 e 2025, os valores empenhados dessa fonte cresceram de R$ 658,2 milhões para R$ 890,1 milhões, ampliando a capacidade acadêmica e científica da instituição. Atualmente, todos os 20.374 alunos de graduação e 6.032 de pós-graduação são atendidos por esses recursos.
Além disso, empresas do PIM realizam investimentos obrigatórios em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), fomentando parcerias com universidades e centros de pesquisa locais.
Crédito e interiorização para pequenos negócios
No segundo mandato do governador Wilson Lima, a Afeam já aplicou mais de R$ 915 milhões em crédito, totalizando 45.960 operações. A meta é alcançar R$ 1 bilhão em financiamentos para pequenos empreendedores, setor primário, turismo e empresas de base tecnológica sustentável.
Desde 2019, o volume já supera R$ 1,48 bilhão. Grande parte dessas operações é viabilizada com recursos do FMPES, demonstrando como a indústria instalada em Manaus sustenta oportunidades no interior.
“Nosso compromisso é garantir que cada recurso investido chegue a quem realmente precisa, com critérios técnicos, responsabilidade e total clareza nos processos, visando atender todos os municípios do estado”, destaca Marcos Vinícius Castro, diretor-presidente da Afeam.
Inovação e sustentabilidade: A nova fronteira
Livoltek e as ‘rabetas elétricas’
O perfil dos projetos aprovados pelo Codam aponta para uma transformação qualitativa, com foco em inovação e sustentabilidade. Um exemplo é o projeto da empresa Livoltek, que produz sistemas para embarcações elétricas, as chamadas “rabetas elétricas”.
Esses motores operam sem emissão de gases poluentes, reduzem ruído e vibração, diminuem custos operacionais e podem ser integrados a sistemas de gestão de energia inteligente.
O pescador Adalgiso Silveira de Oliveira, de 64 anos, destaca os benefícios: “A gente não gasta mais dinheiro com gasolina, não espanta mais os peixes por causa do ruído e não polui o rio. É isso aí”, declara.
Bioeconomia: Complemento à indústria no Amazonas
Em novembro de 2025, o Governo do Amazonas lançou o Plano Estadual de Bioeconomia, construído pela Sedecti com ampla participação social. O documento estabelece diretrizes para uma economia de baixo carbono, inclusiva e baseada na sociobiodiversidade.
A conexão com a Zona Franca é direta, pois os recursos gerados pelo PIM criam as condições financeiras e institucionais para o avanço em inovação aplicada à floresta.
O secretário Serafim Corrêa explica que o objetivo não é substituir a indústria, mas ampliar sua função estratégica. “A engrenagem permanece a mesma: investimento produtivo gera arrecadação; a arrecadação alimenta fundos; os fundos financiam conhecimento, crédito e inovação; e esses elementos sustentam uma economia mais diversificada e resiliente”, afirma.
“Mais do que um modelo fiscal, trata-se de uma estratégia de longo prazo que transforma investimento industrial em oportunidade social, e que projeta o Amazonas para um futuro em que indústria e floresta não competem, mas se complementam”, finaliza Serafim Corrêa.
Com Informações da Agência Amazonas


