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terça-feira, 28 de julho de 2026

Blocos de saúde mental no Rio transformam o carnaval em palco de inclusão e combate ao preconceito

O carnaval do Rio de Janeiro se consolida, a cada ano, como um espaço de celebração da diversidade e, cada vez mais, de inclusão social. Os blocos dedicados à saúde mental são um exemplo vibrante dessa transformação, unindo usuários da rede de atenção psicossocial, seus familiares, profissionais de saúde e a comunidade em geral em desfiles que visam quebrar estigmas e reforçar o direito à cidadania e à alegria.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Rio), essas agremiações utilizam a maior festa popular do país como plataforma para conscientização e combate a preconceitos relacionados à saúde mental. Hugo Fernandes, superintendente de Saúde Mental da pasta, destaca que a iniciativa reafirma o direito de pessoas em sofrimento psíquico à cultura e à diversão, promovendo espaços de expressão, pertencimento e cidadania.

Além dos desfiles carnavalescos, os blocos de saúde mental funcionam como centros de convivência e cuidado ao longo do ano, oferecendo oficinas de música, fantasia, artesanato e percussão. Essas atividades são fundamentais para estimular a expressão artística dos usuários e ampliar o diálogo social sobre inclusão, respeito às diferenças e cuidado coletivo.

Blocos que fazem a diferença

Zona Mental: a voz da Zona Oeste

O Zona Mental, fundado em 2015, é uma criação conjunta de usuários, familiares e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial da Zona Oeste do Rio. O bloco, que realizou seu primeiro desfile em 2017, tem como objetivo a reintegração social através da música, arte e carnaval. Em 2026, o desfile acontecerá no dia 6 de fevereiro, com concentração na Praça Guilherme da Silveira, em Bangu.

Débora Rezende, musicoterapeuta e copresidente do bloco, ressalta a importância do Zona Mental em representar a Zona Oeste, uma região mais afastada do centro. O bloco reúne cerca de 14 a 15 serviços de saúde da área e conta com a participação de artistas de escolas de samba como Unidos de Bangu e Mocidade Independente de Padre Miguel. Neste ano, o bloco homenageará os nordestinos da Zona Oeste, com um samba que celebra o multi-instrumentista Hermeto Pascoal.

Tá Pirando, Pirado, Pirou!: 21 anos de luta e celebração

Completando 21 anos em 2026, o bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! celebra os 25 anos da Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Antimanicomial. O desfile está marcado para 8 de fevereiro, na Avenida Pasteur, na Urca. O bloco homenageia o psiquiatra italiano Franco Basaglia, figura crucial na reforma psiquiátrica brasileira.

Alexandre Ribeiro, psicanalista e fundador do bloco, relembra a inspiração de Basaglia, que denunciou as condições desumanas de hospitais psiquiátricos. Influenciados pelo movimento da psiquiatria democrática italiana, trabalhadores da saúde mental redigiram o Manifesto de Bauru em 1987, consolidando o 18 de Maio como Dia Nacional da Luta Antimanicomial. O desfile contará com a bateria da Portela e blocos convidados como Céu da Terra e Vem Cá Minha Flor.

Império Colonial: um tributo a Arthur Bispo do Rosário

O bloco Império Colonial, fundado em 2009, dedicará seu enredo de 2026 a Arthur Bispo do Rosário, artista plástico diagnosticado com esquizofrenia. O bloco, originário do Museu Bispo do Rosário no Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira (IMASJM), ressalta a trajetória multifacetada do artista. O desfile está agendado para 10 de fevereiro, com concentração na Praça Nossa Senhora de Fátima, em Jacarepaguá.

Pela primeira vez, o Império Colonial apresentará alas, sinalizando o amadurecimento da agremiação. A autoria do enredo é de Alex de Repix, usuário do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Jovelina Pérola Negra. Apesar de ser um bloco pequeno, com cerca de 20 integrantes, a expectativa é dobrar o público em relação ao ano anterior, atraindo moradores locais, usuários da rede e trabalhadores de saúde.

Loucura Suburbana: tradição e revitalização na Zona Norte

O bloco Loucura Suburbana, o mais antigo do grupo, completa 26 anos de atividades em 2026 e desfilará no dia 12 de fevereiro, no Engenho de Dentro. O samba escolhido para embalar o desfile é “Para o povo poder cantar”. O enredo deste ano é “Baluartes, Território e Loucura”, uma síntese das ideias trazidas pelos participantes.

A coordenadora-geral, Ariadne Mendes, explica que “Baluartes” homenageia músicos que marcaram o bloco, “Território” remete às raízes e ao trabalho na comunidade, e “Loucura” celebra a importância do bloco como um lugar de alegria, encontro e pertencimento. O Loucura Suburbana oferece ainda a possibilidade de reserva e devolução de fantasias, além de maquiagem gratuita no dia do desfile, facilitando a participação de todos.

Com informações da Agência Brasil