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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Cartilha une saberes de terreiros e prevenção do câncer em negras

Uma nova cartilha desenvolvida pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) propõe uma ponte entre os saberes ancestrais dos terreiros afro-brasileiros e as estratégias de prevenção e cuidado contra o câncer em mulheres negras.

A publicação aborda como o racismo estrutural pode influenciar negativamente a saúde dessas mulheres, desde o aumento do risco de adoecer até a dificuldade de acesso a serviços e tratamentos adequados.

A iniciativa reconhece o papel fundamental dos terreiros como espaços de acolhimento, cuidado e promoção da saúde, buscando integrar essas práticas com o conhecimento técnico-científico, conforme informação divulgada pelo Inca.

Saberes ancestrais e a saúde integral

Iyá Katiusca de Yemanjá, participante da elaboração da cartilha, ressalta que os terreiros historicamente promovem a saúde através de banhos de ervas, chás e um cuidado especial com a saúde íntima feminina. O objetivo é fortalecer o corpo da mulher negra, especialmente as de periferia que enfrentam sobrecarga de trabalho, para que busquem os serviços de saúde com mais confiança.

Combate à discriminação nos atendimentos

Mãe Nilce de Iansã, coordenadora-geral da Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde (Renafro), destaca a discriminação que as mulheres negras enfrentam ao usar seus adereços religiosos, como fios de conta. Muitas vezes, são forçadas a retirá-los em ambientes hospitalares, o que é visto como uma violação, pois esses itens possuem significado de proteção.

Ela enfatiza que o racismo religioso é um determinante social que afeta a vida das mulheres negras, indo além da genética e estando diretamente ligado ao ambiente em que vivem. Os saberes e rituais afro-brasileiros podem ser um importante suporte na prevenção de doenças e no acolhimento de pacientes diagnosticadas com câncer.

A cartilha busca, portanto, aproximar esses universos para auxiliar na prevenção de doenças como o câncer, utilizando o diálogo e o respeito à cultura e religiosidade afro-brasileira.

Com informações da assessoria